Filho de um casal de sapateiros, profissão tradicional na “capital do calçado”, Luis Eduardo Martins descobriu seu dom para os negócios aos 16 anos, quando começou a vender itens usados e parados em casa e na dos familiares nas páginas do Facebook de compras, vendas e trocas. Hoje, cinco anos depois, o jovem empreendedor comanda 50 funcionários diretos e 80 indiretos em quatro empresas voltadas para o segmento de tecnologia e e-commerce. Em julho, durante a pandemia do novo coronavírus, investiu R$ 120 mil para ajudar os pequenos fabricantes de Franca a vender pela internet, e se prepara para lançar em outubro um aplicativo de vendas para pet shops.
“Meu pai tinha uma banca de pesponto, minha mãe era coladeira. Estudei em escola particular com bolsa, acabei o Ensino Médio, mas não tinha condição de fazer faculdade e precisava trabalhar. Cheguei a ter experiência como sapateiro, em alguns setores da produção, acho essa profissão muito digna, mas eu não gostei, não queria isso para minha vida”, diz Luis Eduardo.
Em um mês e meio ele vendeu tudo e viu que tinha habilidade para o comércio. “Um dia peguei carona com meu pai, quando ele foi levar serviço numa fábrica de botas texanas, voltei para casa, pesquisei sobre o produto na Internet e vi que só tinha quatro empresas com loja virtual no país. A partir daí comecei a investir meu tempo pensando num negócio”, conta.
A parceria com o dono da fábrica começou com um par de botas, no outro dia outro par, depois uma grade inteira, até que em seis meses a casa de Luis Eduardo ficou cheia de caixas de botas, em todos os cômodos. As vendas eram apenas pelas redes sociais e celular, com a ajuda da mãe, que até hoje é responsável pelo Financeiro.
Então o “negócio ficou sério”, como ele brinca. A família comprou um terreno, construiu um barracão para guardar o estoque e entrou no e-commerce com uma loja virtual e marca própria: a 7M Boots. A venda semanal de três botas saltou para 10 por dia.
Dois anos se passaram e, em janeiro de 2019, ele abriu a sua própria fábrica – que recentemente ganhou uma nova sede. “Estava com três fornecedores, todos da cidade, mas com custo alto, inviável e atraso na entrega. Com o investimento reduzi em 50% o custo fixo, e a produção ficou por conta do meu pai, que já tinha experiência, e do meu irmão”, diz Luis Eduardo.
A família toda trabalha unida. O outro irmão é responsável pelo Telemarketing e a irmã caçula e sua equipe gerenciam as redes sociais. Em setembro do ano passado, apenas oito meses depois, nasceu a Agência EVA Commerce, com soluções focadas em performance e atendimento ao cliente.
“Quando mudei a plataforma de e-commerce para a Nuvemshop tive a oportunidade de me especializar na empresa em São Paulo, durante sete meses. Aí recebi a proposta do Alejandro Vázquez (cofundador e diretor comercial) para abrir a agência. Nossa especialidade é o desenvolvimento de website para e-commerce e aplicativos (layout, identidade visual e funcionalidades), e também atuamos com e-commerce internacional”, explica.
Luis Eduardo também está à frente da Baby Reborn, uma loja virtual de brinquedos importados. Agora, ele quer se tornar referência no segmento de e-commerce e ajudar mais pessoas com seu trabalho. “Minha família nunca ganhou nada ‘de mão beijada’. Tudo o que a gente conquistou foi com muito trabalho, força de vontade e fé em Deus. Nasci em Franca, muitas pessoas me ajudaram e agora é a minha vez de ajudar e retribuir o que a cidade fez por mim”, diz o empreendedor, que comanda hoje 50 funcionários diretos e 80 indiretos.
O Giga Varejo, plataforma de vendas on-line, já estava nos planos do empresário e a Covid-19 acelerou o processo para tirar o sonho do papel. “Quando vi meus amigos fechando as portas dos seus negócios me sensibilizei. Quero ajudar não só a eles, mas todos os pequenos fabricantes da cidade, a sobreviver a esta crise. Meu foco é ajudar a manter os empregos, contribuir de alguma forma para a retomada do desenvolvimento econômico de Franca”, diz Luis Eduardo.
O isolamento social durante a pandemia contribuiu positivamente para o setor de e-commerce, que registrou aumento de 40%. O boom das vendas pela Internet praticamente obrigou as empresas e marcas a migrarem para o comércio eletrônico. O empresário investiu R$ 120 mil na plataforma, que foi lançada em julho e já tem adesão de cerca de 15 fabricantes
A iniciativa ganhou destaque em rede nacional. Luis Eduardo foi convidado pelo Instituto Ressoar, da Record TV, para contar a sua história no curso de empreendedorismo digital Ressoar Multimeios, voltado para jovens com vulnerabilidade social, e também no “Programa Ressoar”, apresentado pela jornalista Renata Alves, aos domingos, às 16h30, na Record News.
Desde 2005, o Instituto desenvolve projetos e ações voltadas a diversas áreas da responsabilidade social, promovendo mudanças nas comunidades em todo o Brasil. A entrevista foi ao ar no dia 16 de agosto.