Reportagem Daniel Afonso
Diante de tantas ocorrências e covardias envolvendo mulheres, o que talvez muitas delas ainda não saibam é que existe em Franca há quase três meses, uma casa de assistência e acolhimento para situações de violência.
Paralelamente inaugurado com as novas instalações da DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Franca, o CRAM (Centro de Referência de Atendimento à Mulher) pode ser considerado uma das principais respostas de investimento que Franca já recebeu nesse contexto de apoiar vítimas que sofrem violência e não tinham condições de serem amparadas ou ouvidas.
Sendo assim, o Momento Verdade de hoje mostra o trabalho do CRAM, que foi tão pouco divulgado desde a sua implantação. Trata-se de uma iniciativa do núcleo “Mulheres do Brasil”, que foi acatada pelos órgãos públicos, para atender vítimas fragilizadas que passam por algum tipo de violência, seja no lar ou na rua. O centro está localizado na rua Voluntários da Franca, 2557, bairro São José, com atendimento de segunda a sexta-feira, das 8 às 17 horas.
É um projeto implantado nos mesmos moldes já existentes em Barueri, Araraquara e na Grande São Paulo. Foi constatado que o acolhimento é a maior força que a mulher precisa para o enfrentamento desses tipos de situações.
Diferença entre atendimentos
É preciso entender o trabalho que é feito na DDM e no CRAM. Na Delegacia da Mulher, desde a recepção, ela é acolhida pelas secretárias, e dependendo da situação, a triagem é direcionada à psicóloga da unidade, Renata Dornelas. Se necessário, ela é encaminhada ao Centro de Referência para atendimento específico.
Neste local receberá acompanhamento pela psicóloga Juliana Moura – seja com atendimentos individuais ou em grupos, e ainda poderá passar por uma assistente social ou advogada que também auxiliam no acolhimento – inclusão, benefícios, orientações jurídicas e outros. O CRAM ainda oferece cursos pelo Sebrae e rodas de conversas para discutir mais sobre essa importância do atendimento a esse público.
“A maioria vem para fazer o boletim, mas não é regra. A nossa principal preocupação é acolher essa vítima de violência física, patrimonial ou psicológica. A mudança começa dentro da gente, momento quando rompe esse ciclo da violência e que ela resolve buscar ajuda. Muitas vezes vêm pessoas que explicam o quanto foi difícil para chegar até aqui, até tomar esta coragem”, explicou a psicóloga Renata Dornelas.
A vítima não precisa escolher o acesso que é melhor para ela chegar. Seja na delegacia ou no CRAM será acolhida e instruída. “Aqui a gente escuta e consegue discriminar o que é mais importante naquele momento. Às vezes ela chega muito abalada e que não é só um boletim de ocorrência que vai resolver a situação. A maioria talvez precisa esvaziar essa dor para organizar o que realmente precisa ser feito, as atitudes que devem ser tomadas e saber das possíveis consequências”, detalharam.
Por fim as profissionais destacam que a difusão da Lei Maria da Penha precisa ser trabalhada de forma preventiva a partir de crianças e adolescentes: “desta forma teremos no futuro adultos diferentes”.