Reportagem Daniel Afonso
Geralmente os alunos do EJA (Educação de Jovens e Adultos) são adultos trabalhadores ou até mesmo desempregados, que não tiveram oportunidade de concluírem os estudos. Por diversas razões, em grande parte, de cunho financeiro e social, considerável número de brasileiros passa apenas pela fase da alfabetização. Essa realidade tem mudado e muito no Brasil e em Franca também.
Atualmente, o EJA é oferecido em cinco unidades de ensino: Nair Martins Rocha (Vila Santos Dumont), José Mário Faleiros (Aeroporto 3), Maria Helena Rosa Barbosa (Redentor) e Antônio Sicchierolli (Jardim América), além do Cesum no Colégio Champagnat, onde funciona o Supletivo à Distância, com matrículas durante o ano todo.
E a notícia fresquinha, que trazemos em primeira mão e que acaba de confirmar para Franca, é a autorização da Secretaria de Estado de Educação, para a implantação da segunda unidade do Cesum na cidade, desta vez ampliando o EJA na Escola Municipal Nair Martins Rocha com o curso semipresencial, a partir do segundo semestre.
A referida escola já oferecia o curso apenas na modalidade presencial, e com esta novidade, o aluno poderá retirar o material e estudar em casa, só se apresentando para as avaliações. De acordo com a Secretaria Municipal de Educação, a demanda vem crescendo nos últimos anos, porém agora com a oportunidade de contemplar mais pessoas na região da Estação, até porque a escola fica localizada na rua Padre Conrado, 1900.
Ponto estratégico
Segundo o secretário Edgar Ajax dos Reis Filho, a iniciativa de ampliação do EJA começou no início do ano passado e somente agora foi homologado pelo Conselho Estadual. “Tendo em vista a valorização das escolas do EJA, vimos trabalhando para conseguir essa segunda unidade para atender mais alunos que moram naquela região da cidade, proporcionando maior acesso e mais facilidade aqueles que precisam concluir seus estudos”, pontuou.
Para conseguir essa autorização, ele explicou que foi apresentado vários aspectos legais justificando a ampliação através do local, do plano pedagógico e do corpo de professores. “Foi um trabalho árduo, mas era um pedido que tinha desde quando assumi a secretaria. Com certeza será bem acolhida, já que ela poderá atender entre 1.500 e 3.000 alunos”, reforçou. Vale lembrar que essa demanda amplia o ensino do Cesum, que até então era oferecido apenas no Colégio Champagnat, atendendo 1.500 alunos.
Demanda na cidade
Na linha de frente do EJA, está o coordenador do projeto, o professor José Aurélio da Silva, que atua neste ensino há mais de três décadas. Segundo ele, com a nova unidade vai facilitar ao aluno ainda mais o seu acesso ao retorno dos estudos. “Isso porque em muitos casos, o aluno vai lá, faz sua matrícula no presencial e acaba desistindo por causa do trabalho e por lá ser um local mais central [Champagnat]. Nossa preocupação foi no sentido de oferecer as duas modalidades nesta unidade e dar essa oportunidade de estudarem em outra região, que talvez sejam mais perto de suas casas”, explicou.
Responsabilidade do Estado
“Quando assumimos a secretaria existia uma tendência por parte dos gestores anteriores no sentido de fechar as unidades do EJA na cidade. Nós tivemos uma atitude totalmente inversa, ou seja, de apoiar e intensificar esse trabalho, embora seja obrigação do Estado o Ensino Médio no Município”, destacou o secretário Edgar Ajax.
Além disso, ele destacou duas novidades. A primeira, é que o Cursinho Popular, deixa de atender no Colégio Champagnat e também vai para a escola Nair Rocha. Inclusive as inscrições do processo seletivo começam nesta segunda-feira (10) e segue até o dia 21 deste mês, com início das aulas em março. A outra informação é a implementação de cursos técnicos profissionalizantes nas escolas do EJA, possibilitando ao aluno sua entrada no mercado de trabalho.