{"id":24482,"date":"2022-04-15T09:45:49","date_gmt":"2022-04-15T12:45:49","guid":{"rendered":"https:\/\/verdadeon.com.br\/portal\/?p=24482"},"modified":"2022-04-15T09:45:49","modified_gmt":"2022-04-15T12:45:49","slug":"a-unica-arma-que-a-democracia-tem-e-uma-imprensa-livre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/verdadeon.com.br\/portal\/2022\/04\/15\/a-unica-arma-que-a-democracia-tem-e-uma-imprensa-livre\/","title":{"rendered":"\u2018A \u00fanica arma que a democracia tem \u00e9 uma imprensa livre\u2019"},"content":{"rendered":"<h2>Carlos Pereira, diretor presidente do Jornal Verdade, celebra os quatro anos do ve\u00edculo e destaca o que espera para o futuro<\/h2>\n<p><strong>Nelise Luques, <\/strong><br \/>\n<strong>Fernando Lima e <\/strong><br \/>\n<strong>Fernando Calixto<\/strong><\/p>\n<p>Em comemora\u00e7\u00e3o aos quatro anos do Jornal Verdade, o empres\u00e1rio e diretor presidente Carlos Pereira conta em uma entrevista os primeiros passos do ve\u00edculo, e tamb\u00e9m os principais desafios de conduzir uma empresa de comunica\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA entrevista traz um panorama do presente, com o sucesso da vers\u00e3o digital do jornal lan\u00e7ada durante a pandemia e ainda as expectativas para o futuro.<\/p>\n<p>Carlos, como surgiu a ideia de criar o Jornal Verdade?<br \/>\nNa realidade, eu at\u00e9 j\u00e1 comentei isso, nunca passou pela minha cabe\u00e7a ter um jornal, de maneira alguma. Minha filha \u00e9 jornalista, ela fez jornalismo na Unesp de Bauru, se formou, trabalhou l\u00e1 na TV Globo de Bauru, depois foi para Bras\u00edlia, trabalhou no Minist\u00e9rio das Comunica\u00e7\u00f5es, na \u00e9poca do governo Lula, e depois veio para Franca. Ent\u00e3o ela foi para o Com\u00e9rcio da Franca, trabalhou l\u00e1, mas sempre reclamando muito para mim das dificuldades, das coisas e tal e no come\u00e7o ela teve uma desilus\u00e3o com a profiss\u00e3o. Eu sempre falei para ela que era muito dif\u00edcil, que eu preferia que ela fosse m\u00e9dica ou engenheira, para continuar caminho nosso, porque a gente tinha a f\u00e1brica de equipamentos. Meu filho se formou em engenharia el\u00e9trica e de produ\u00e7\u00e3o, mas ela nunca quis, ela queria jornalismo, ela falou que era apaixonada por jornalismo, e eu acho que ainda \u00e9, mas aqui em Franca com os acontecimentos que tiveram, de uma forma um pouco agressiva de lidar com as pessoas, mas eu nunca quis entrar a fundo nisso, por ser pai, se voc\u00ea vai muito a fundo, voc\u00ea acaba pegando essas dores para voc\u00ea. Ent\u00e3o eu n\u00e3o quis muito ir a fundo. E ela sempre muito orgulhosa, nunca quis chegar perto de mim e falar \u2018\u00f4 pai, me d\u00e1 oportunidade l\u00e1 na empresa\u2019, mas o meu filho j\u00e1 est\u00e1 trabalhando comigo e sentindo tudo aquilo que ela estava passando, que ela tamb\u00e9m n\u00e3o demonstrava muito para mim. Ele chegou para mim e falou \u2018pai, oferece alguma coisa para a Juliana, ela n\u00e3o vai te pedir nunca, ela morre onde ela est\u00e1, mas n\u00e3o te pede. Oferece alguma coisa, na parte comercial\u2019. Eu ofereci e ela foi trabalhar na Endoclear. Fui passando para ela a minha experi\u00eancia e surgiu a oportunidade de vender a empresa, na realidade a empresa j\u00e1 estava sendo negociada, porque o processo de venda demorou seis anos. Quando ela foi para l\u00e1, n\u00f3s est\u00e1vamos na \u00faltima fase, de Due Diligence e tudo mais. Quando eu vendi a empresa, eu ainda fiquei mais um ano como presidente, mas depois existiam v\u00e1rias diverg\u00eancias de gest\u00e3o, que \u00e9 muito diferente, uma empresa multinacional, francesa, ent\u00e3o um regime de administra\u00e7\u00e3o totalmente diferente do meu. Ela foi minha a vida toda, por 30 anos, s\u00f3 minha. Os meus filhos, por exemplo, tinham uma participa\u00e7\u00e3o de 0,1% porque na \u00e9poca eu precisava para constituir uma Limitada. Eu vendi 80% e fiquei s\u00f3 20%. Ent\u00e3o era uma empresa minha, mas eu n\u00e3o mandava. E por 30 anos as decis\u00f5es eram todas minhas, todas. Mandava fazer, tirar, comprar, dava desconto, fazia qualquer coisa e eu criei com isso um la\u00e7o de amizades no meio m\u00e9dico muito grande. Ent\u00e3o assim, eu tinha esse poder. De repente, n\u00e3o tinha mais, porque l\u00e1 era preto no branco. Antes eu decidia isso, porque se tivesse um preju\u00edzo era meu, se tivesse lucro, era meu. Eu tinha autonomia total, de 100%. De repente, eu tinha que consultar a Fran\u00e7a. Agora, no meu caso, eu era presidente, s\u00f3cio e estava aqui cuidando da empresa. E eles n\u00e3o entendem isso l\u00e1, que aqui tem que ter esse jogo de cintura, porque l\u00e1 n\u00e3o existe isso, de dar descont\u00e3o, isso \u00e9 o jeitinho brasileiro. Eu n\u00e3o estava me sentindo confort\u00e1vel com a situa\u00e7\u00e3o e joguei aberto com eles. Tivemos um encontro aqui em Franca e eles decidiram comprar a minha parte, ficou tudo certo, tudo tranquilo. Eu sa\u00ed da empresa e quando eu sa\u00ed, n\u00e3o me preocupei com o Henrique, eu me preocupei s\u00f3 com a Juliana, porque o Henrique era engenheiro de produ\u00e7\u00e3o e engenheiro el\u00e9trico, j\u00e1 estava iniciando uma p\u00f3s aqui na USP, tinha experi\u00eancia, tinha a f\u00e1brica na palma da m\u00e3o. A Juliana n\u00e3o, ela estava no comercial e tive receio que ela fosse demitida. Tinha a preocupa\u00e7\u00e3o de pai, que ela podia reviver aquela hist\u00f3ria, a\u00ed, coincidentemente o Levi Faleiros, que era do Di\u00e1rio da Franca, cuidava de todas as artes das empresas, logomarca e tudo, a parte de papelaria toda, e ele sugeriu que eu fundasse um jornal. Ele dizia que aqui em Franca ia ficar essa lacuna com o fechamento do Di\u00e1rio. E eu fundei o jornal pensando na Juliana, para ela tocar e eu daria uma ajuda, se precisasse, em termos de investimento e tal. E eu fundei o Jornal Verdade, mas para minha surpresa, a Juliana cresceu dentro da empresa, desenvolveu e l\u00e1 ficou. E eu fiquei com o jornal para tocar. E depois ela acabou caminhando para outras \u00e1reas, trabalha com o marido dela at\u00e9 hoje.<\/p>\n<p>E depois que fundou o jornal, como voc\u00ea lidou com algo t\u00e3o novo para voc\u00ea?<br \/>\nO pessoal da \u00e1rea de jornalismo que veio para c\u00e1 da \u00e1rea, por exemplo, o Levi e o Pinati venderam a ideia muito bem vendida. Eles me passaram uma coisa e eu me encantei. Eles me venderam uma ideia, uma coisa e eu achei aquilo muito bonito, muito bacana. Eu comecei com um entusiasmo muito grande. Era uma \u00e1rea muito nova para mim, muito interessante, as reportagens, as discuss\u00f5es de pauta, as vezes eu vinha s\u00f3 para ouvir e achei tudo muito interessante, mas depois aquilo foi mudando, com algumas discuss\u00f5es, alguns problemas, come\u00e7ou a ter um vi\u00e9s de ideologia e n\u00e3o era o que eu pensava. Quando fundei o jornal, eu disse que um princ\u00edpio a seguir era n\u00e3o fazer mal \u00e0 imagem de ningu\u00e9m. Imagem n\u00e3o se recupera. Eu lembro de uma passagem de um menino que tinha um restaurante perto da Prefeitura e se envolveu com alguma coisa il\u00edcita, ele foi preso e tiraram foto dele algemado, colocaram no jornal. Eu falei: \u2018gente, isso n\u00e3o tem necessidade, n\u00e3o precisa, n\u00e3o \u00e9 isso que n\u00f3s conversamos, que n\u00f3s quer\u00edamos\u2019. Poderia escrever a reportagem, falar do empres\u00e1rio francano, mas n\u00e3o ficar mostrando a cara dele na capa. Eu falava muito isso, sabe por qu\u00ea? Esse cara pode at\u00e9 ter cometido isso, mas ele tem mulher, tem filhos na escola, tem pai, tem m\u00e3e. Voc\u00ea n\u00e3o sabe o que passa um filho na escola, porque todo mundo fica sabendo, v\u00ea essa imagem e tal. Ent\u00e3o, essas coisas foram me chateando muito. Uma outra passagem que lembro \u00e9 de caf\u00e9s que a gente fazia e convidava empres\u00e1rios, pol\u00edticos para falar sobre o jornal e teve um dia que veio uma menina que passou por um problema grave com um cara que ela namorou, a Adriana Telini. N\u00e3o sei detalhes da hist\u00f3ria dela, mas ela contou como sofreu com as not\u00edcias dos jornais na \u00e9poca, que a m\u00e3e dela sofreu muito, que teve um dia que nem quis se levantar da cama para n\u00e3o ver a not\u00edcia do jornal. Ela at\u00e9 chorou aqui, mostrou um sofrimento grande, a\u00ed ela falou \u2018estou aqui hoje para te parabenizar, vim c\u00e1 s\u00f3 te parabenizar. Se as pessoas fossem como voc\u00ea, a minha fam\u00edlia n\u00e3o tinha vivido o que passou\u2019. E ela falou, eu sei que eu errei. Eu sei que eu errei e eu paguei caro por esse erro. As pessoas n\u00e3o sabem o que \u00e9 uma cadeia. \u00c9 um neg\u00f3cio muito triste, muito triste. Eu sempre falei que aqui \u00e9 um jornal, aqui n\u00f3s n\u00e3o somos esquerda, n\u00e3o somos direita, n\u00e3o somos socialistas, n\u00f3s somos jornal, e jornal n\u00e3o pode ter partido. E como o nome diz, tem que falar a Verdade.<\/p>\n<p>Carlos, em mar\u00e7o de 2020, quando o Verdade estava prestes a completar dois anos, come\u00e7a a pandemia em Franca. Como foi esse momento?<br \/>\nO jornal foi mudando, as pessoas que iniciaram com a gente foram saindo at\u00e9 coincidir com a pandemia. A nossa \u00faltima edi\u00e7\u00e3o impressa foi dia 20 de mar\u00e7o de 2020 porque com a pandemia tivemos que parar de imprimir o Verdade. A pandemia, para mim em rela\u00e7\u00e3o ao jornal, foi extremamente ben\u00e9fica, foi uma pausa que eu precisava porque \u00e9 muito dif\u00edcil enxergar algumas situa\u00e7\u00f5es no andamento das coisas. E uma coisa que eu observei \u00e9 que voc\u00ea fecha uma empresa, seja de cal\u00e7ado ou outra \u00e1rea, da noite para o dia, e se ela n\u00e3o for uma empresa monstra, n\u00e3o d\u00e1 nem repercuss\u00e3o. Um ou outro comenta. Agora, fechar um jornal \u00e9 outra hist\u00f3ria. E olha, voc\u00ea fecha um jornal que tinha o qu\u00ea, dois anos? Voc\u00ea imagina que repercuss\u00e3o isso n\u00e3o daria. A\u00ed eu aproveitei a pandemia para tentar organizar, n\u00f3s enxugamos a estrutura, ficamos com poucas pessoas, o pessoal come\u00e7ou a fazer em casa, recebia o benef\u00edcio do governo e eu fui fazendo acordo com um a um, pagamos todo mundo. O pessoal tinha medo de ser demitido e n\u00e3o receber, mas eu tive uma coisa muito a favor que foi a minha rela\u00e7\u00e3o com o jornal, eu sempre fui muito firme com tudo, com fornecedor, sabe? Sempre pagando, mesmo com as dificuldades, porque as pessoas sabiam que n\u00e3o entrava aquele valor e que eu aportava. Ent\u00e3o, isso me deu uma credibilidade muito grande. Mas gra\u00e7as a Deus deu tudo certo.<\/p>\n<p>Foi tamb\u00e9m durante o per\u00edodo pand\u00eamico que surgiu a vers\u00e3o digital do Verdade. Como nasceu essa ideia?<br \/>\nA gente gerava um arquivo do jornal em pdf para enviar para imprimir em Ribeir\u00e3o, mas com a pandemia havia risco de contamina\u00e7\u00e3o pelo coronav\u00edrus e a impress\u00e3o teve que ser suspensa. Para n\u00e3o deixar os leitores sem receber o jornal, passamos a enviar a edi\u00e7\u00e3o digital por email para as pessoas. No come\u00e7o a gente enviava a capa e mais duas p\u00e1ginas. A\u00ed tivemos a ideia de organizar as mat\u00e9rias no formato digital, em pdf, com mais p\u00e1ginas e passamos a enviar por e-mail e WhatsApp tamb\u00e9m. Hoje temos mais de 20 mil envios di\u00e1rios do jornal. \u00c9 o grande diferencial do Verdade.<\/p>\n<p>O Verdade nasce no formato impresso no momento em que j\u00e1 existia uma forte tend\u00eancia ao digital. Por que optar por essa vers\u00e3o?<br \/>\nAntes de fundar o jornal, consultei amigos meus que s\u00e3o jornalistas, tinham experi\u00eancia na Folha de S\u00e3o Paulo, no Jornal A Cidade, de Ribeir\u00e3o Preto, e eles me incentivaram a fazer o jornal impresso. Um deles comentou que quando Chateaubriand trouxe a televis\u00e3o para o Brasil, o r\u00e1dio era soberano, a R\u00e1dio Nacional no Rio de Janeiro era fant\u00e1stica, todo mundo ouvia, e foi o maior temor de que o r\u00e1dio ia acabar. E o que aconteceu? O r\u00e1dio se reinventou e existe at\u00e9 hoje e \u00e9 muito forte. E ele me disse: \u2018eu te digo o mesmo, se for fundar o jornal, fa\u00e7a ele impresso, amanh\u00e3 voc\u00ea vai estar \u00e0 frente. Mas eu acho que foi mais paix\u00e3o que a realidade, porque no mercado, na pr\u00e1tica, a hist\u00f3ria era diferente. Planejamos e faz\u00edamos a impress\u00e3o em Ribeir\u00e3o Preto, com tr\u00eas mil exemplares inicialmente. E assim n\u00f3s come\u00e7amos. Mas uma coisa que eu tamb\u00e9m observei nesse meio, n\u00e3o sei se \u00e9 s\u00f3 aqui no Verdade, se no Com\u00e9rcio tem ou se \u00e9 em outros locais, mas eu enfrentei uma desonestidade muito grande. Por exemplo, eu descobri que o pessoal negociava trocas no nome do jornal. Olha, posso te dizer que por termos tido a ideia da vers\u00e3o digital, o PDF, as coisas acalmaram, porque eu j\u00e1 teria fechado o jornal. E essa ideia de seguir com o PDF s\u00f3 se concretizou porque as pessoas que ficaram no Verdade, uma equipe extremamente enxuta, conduziu o processo, executou a ideia, com paci\u00eancia, tranquilidade, com muito carinho, sem pol\u00eamica.<\/p>\n<p>A vers\u00e3o digital do Verdade permite ao leitor receber a edi\u00e7\u00e3o gratuitamente pelo WhatsApp e direciona a leitura para o site, al\u00e9m de ter as p\u00e1ginas diagramadas com diversas editorias. \u00c9 um formato muito pr\u00e1tico&#8230;<br \/>\nEu n\u00e3o sei se n\u00f3s somos o primeiro no Brasil, isso eu n\u00e3o posso te dizer, mas eu n\u00e3o me lembro de ter visto anteriormente. Eu vi depois, mas anteriormente a nossa n\u00e3o, n\u00e3o me lembro mesmo. A vers\u00e3o digital te d\u00e1 acesso direto ao site, a gente j\u00e1 comentou tamb\u00e9m de ser diferente desse movimento, voc\u00ea chega at\u00e9 a pessoa com o produto, n\u00e3o precisa do movimento inverno, ela chegar at\u00e9 voc\u00ea.<\/p>\n<p>Voc\u00ea tem uma grande experi\u00eancia no setor privado, mas sempre com empresas muito diferentes do Verdade, eram empresas mais voltadas para o setor da sa\u00fade por exemplo. Qual \u00e9 o maior desafio de gerenciar uma empresa de comunica\u00e7\u00e3o?<br \/>\nNeste per\u00edodo de quatro anos eu tive dois desafios, um anterior a pandemia e outro p\u00f3s. Anterior \u00e0 pandemia o maior desafio era gerenciar pessoas que trabalham no jornal. O jornal me deu uma experi\u00eancia fant\u00e1stica, a de que o dia que voc\u00ea for fundar uma empresa, nunca contrate um grupo todos de pessoas que vem de uma outra empresa semelhante. Isso \u00e9 uma li\u00e7\u00e3o para a vida toda e para qualquer situa\u00e7\u00e3o.O grande desafio p\u00f3s-pandemia foi tornar o jornal rend\u00e1vel. Eu tive uma surpresa muito grande, j\u00e1 que anteriormente eu tive um desgaste t\u00e3o grande com a classe, com pessoas com jeito arrogante, prepotente, e isso agora mudou. Gerenciar pessoas virou algo banal, f\u00e1cil, sem estresse, o que me surpreendeu muito. Eu era bem desacreditado com jornalistas, mas agora felizmente isso mudou bastante. Hoje \u00e9 um grande desafio torna-lo rent\u00e1vel, e eu vejo um futuro extremamente grande para isso. Se eu tivesse tomado uma decis\u00e3o com um ano de anteced\u00eancia que eu tomei agora no come\u00e7o do ano, n\u00f3s j\u00e1 estar\u00edamos muito diferentes.<\/p>\n<p>Hoje o Verdade chega a mais de 20 mil pessoas diariamente. Como \u00e9 esse processo e como chegar a mais pessoas ainda?<br \/>\nHoje o mais importante \u00e9 n\u00f3s termos o maior n\u00famero de pessoas cadastradas recebendo esse jornal. \u00c9 isso que vai mudar, porque n\u00e3o tem como, \u00e9 uma coisa b\u00e1sica. Voc\u00ea pega esses influenciadores como que eles alcan\u00e7am o sucesso? \u00c9 porque tem muitas pessoas seguindo eles, visualiza\u00e7\u00f5es. Isso vai fazendo com que as empresas se interessem por eles, por conta da exposi\u00e7\u00e3o, por conta do alcance que eles possuem com essa alta visualiza\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o eu falei para o pessoal, a partir do momento que a gente tiver aqui acima de vinte mil, n\u00f3s j\u00e1 vamos ter uma mudan\u00e7a muito grande. E se chegarmos a cinquenta mil aqui, voc\u00eas n\u00e3o imaginam a mudan\u00e7a que n\u00f3s teremos. O Verdade foi pioneiro nessa ideia do PDF, hoje outras pessoas tamb\u00e9m fazem, mas o nome que o jornal criou, o peso do nome Verdade \u00e9 diferente, as pessoas conhecem e tem muita credibilidade. \u00c9 um nome de peso. Quando falei para o meu filho da ideia do nome, ele me alertou, disse: \u201cVoc\u00ea tem ideia desse peso? Cuidado, muito cuidado. Uma \u00fanica mentira d\u00e1 margem para desmontar a imagem. Uma \u00fanica coisa, n\u00e3o precisa de duas\u201d. Ele me alertou ainda que n\u00e3o era eu quem escrevia, eram outras pessoas. Eu insisti que queria arriscar e decidimos manter o nome. No come\u00e7o era Di\u00e1rio Verdade, a minha ideia era pegar gancho no Di\u00e1rio da Franca, que estava fechando na \u00e9poca, mas foi tudo pensado, sendo que no anivers\u00e1rio de um ano do jornal, n\u00f3s j\u00e1 mudamos para o atual Jornal Verdade. Hoje o jornal chega at\u00e9 voc\u00ea, no seu celular e temos v\u00e1rios pedidos de pessoas querendo receber o jornal. Mudamos a administra\u00e7\u00e3o, e todos os dias cerca de 100, 150, as vezes 200 nomes s\u00e3o cadastrados no nosso sistema. O objetivo \u00e9 atingirmos pelo menos 50 mil, ainda vamos chegar at\u00e9 este n\u00famero.<\/p>\n<p>Quais s\u00e3o as perspectivas para o futuro, para os pr\u00f3ximos quatro anos? O que voc\u00ea enxerga para o futuro?<br \/>\nO p\u00f3s pandemia foi uma organiza\u00e7\u00e3o, essa fase agora j\u00e1 acabou. Hoje j\u00e1 temos uma dire\u00e7\u00e3o, uma luz. Agora \u00e9 continuar buscando mais pessoas para receber o jornal, se chegarmos ao nosso objetivo, o futuro do jornal vai ser muito glorioso, porque n\u00f3s estamos muito na frente, temos uma vantagem monstra em termos de credibilidade, que foi sendo constru\u00edda com o tempo, com a seriedade do jornal. Isso \u00e9 muito importante, especialmente neste per\u00edodo em que a imprensa est\u00e1 sendo muito desacreditada em partes, o que \u00e9 muito triste. As pessoas estavam associando o jornalismo, a imprensa em geral com algo ruim.<\/p>\n<p>Voc\u00ea fala sobre a imprensa ser desacreditada. Quando falamos em imprensa livre, o que vem a sua cabe\u00e7a como dono de um jornal?<br \/>\nA \u00fanica arma que a democracia tem \u00e9 uma imprensa livre. Se voc\u00ea quiser manter uma democracia viva, s\u00f3 se consegue com a imprensa livre. Hoje eu vejo as pessoas falando, eu vejo muitas discuss\u00f5es, muita pol\u00eamica, mas nada como uma imprensa livre. Eu vejo alguns problemas em alguns pa\u00edses, como a Cor\u00e9ia do Norte, China, Venezuela, R\u00fassia, imagina se aqui fosse assim?<\/p>\n<p>Quem \u00e9 o Carlos Pereira, dono do Verdade?<br \/>\nEu tenho 58 anos, a minha trajet\u00f3ria foi assim, eu tive meu primeiro emprego na Usina de Furnas, mas uma coisa que eu sempre tive vontade, era a de ter alguma coisa minha. Em Furnas era um trabalho muito mon\u00f3tono, ent\u00e3o eu sa\u00ed, voltei para Franca, fui trabalhar em Ribeir\u00e3o Preto no grupo S\u00e3o Francisco. Mas eu sempre quis montar uma empresa, e no final de 1985, eu montei um laborat\u00f3rio para fazer manuten\u00e7\u00f5es em equipamentos m\u00e9dicos. Na d\u00e9cada de 90 muita coisa mudou, e eu fazia muitas manuten\u00e7\u00f5es em equipamentos de hemodi\u00e1lise, eram uns equipamentos antigos, de tanque e tal. Houve um acidente em Caruaru, aquilo marcou muito. A \u00e1gua usada na m\u00e1quina estava com uma toxina causada por uma planta, matou muita gente na \u00e9poca. Tiveram problemas tamb\u00e9m em S\u00e3o Paulo. Quando aconteceu isso, eu vi a oportunidade. Eu tinha comprado muitas pe\u00e7as de uma m\u00e1quina americana, j\u00e1 que nos Estados Unidos, as m\u00e1quinas de di\u00e1lise n\u00e3o podem ter mais que duas mil horas. Achamos uma empresa em Miami. Comecei a comprar as m\u00e1quinas deles e nacionalizava, pre\u00e7o barato e vendia no mercado. Fomos arrebentando e colocando essas m\u00e1quinas no mercado, montando cl\u00ednicas e tudo mais. Depois decidi parar com este ramo, tive uma experi\u00eancia ruim de me apegar a pacientes e eles morrerem, eu me apegava a eles enquanto eu fazia manuten\u00e7\u00e3o em m\u00e1quinas, e isso me dava algo ruim. Foi assim que fui vendo coisas diferentes, vi que a Anvisa come\u00e7ou a sinalizar para o lado de autoclaves, que ela precisava de ser a v\u00e1cuo e tal, e que tinha que automatizar e tudo mais, o que eu fiz? Vi um novo nicho. Entre outras oportunidades que foram surgindo, e no final de dois mil e cinco, a Endoclear j\u00e1 estava produzindo equipamentos. Eu sempre estive envolvido com empresas, j\u00e1 tive outras de embutir, f\u00e1brica de picol\u00e9, entre tantas outras, mas eu nunca fui de gostar de jornal, de sair em colunas, essas coisas, sempre fui avesso a isso, n\u00e3o era minha praia. Depois de trinta anos vendi a Endoclear, no dia trinta de julho de 2015, n\u00f3s t\u00ednhamos quase 90% do mercado nacional na \u00e9poca e 70% na Am\u00e9rica do Sul. Mas foram decis\u00f5es que fui tomando, hoje sigo com outras empresas de diferentes segmentos al\u00e9m do Verdade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Carlos Pereira, diretor presidente do Jornal Verdade, celebra os quatro anos do ve\u00edculo e destaca o que espera para o futuro Nelise Luques, Fernando Lima e<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":24480,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"enabled":false},"version":2}},"categories":[28,81],"tags":[],"class_list":["post-24482","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cotidiano","category-manchete"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v25.6 - 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