Nem sempre os problemas sanitários de uma criação são visíveis. Em aves e suínos, infecções por parasitas podem passar despercebidas e comprometer o desenvolvimento dos animais. Estudos conduzidos por pesquisadores da Universidade de Franca (Unifran) identificaram 16 espécies de helmintos, popularmente conhecidos como vermes, em animais provenientes de pequenas criações não industriais da região de Franca, no interior paulista.
As pesquisas, realizadas a partir de estudos clínicos identificaram nove espécies de helmintos em 30 aves e sete espécies em 26 suínos. Os animais avaliados já apresentavam exames positivos para parasitas e foram submetidos a análises para identificação das espécies. Por isso, os resultados não representam a prevalência de verminoses em todas as criações da região, mas ajudam a compreender a diversidade de parasitas encontrada nesses sistemas.
Entre as aves examinadas, Heterakis gallinarum foi identificada em 29 dos 30 animais, enquanto Ascaridia galli apareceu em 27. Nos suínos, Oesophagostomum dentatum foi encontrado nos 26 animais avaliados, e Trichuris suis, em 25.
A presença desses parasitas pode estar associada a problemas como inflamações intestinais, menor ganho de peso e pior aproveitamento dos alimentos. Os efeitos variam conforme a espécie, a intensidade da infecção e as condições de saúde dos animais. Os estudos, porém, não calcularam diretamente as perdas financeiras nas propriedades.
Segundo o professor Rafael Paranhos de Mendonça, do Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal da Unifran, um dos desafios é reconhecer problemas que não provocam sintomas evidentes. “A ausência de sinais clínicos não significa necessariamente que o animal esteja livre de parasitas. Por isso, o acompanhamento veterinário e o diagnóstico são importantes para identificar infecções e orientar medidas de controle antes que elas comprometam a saúde e o desempenho dos animais, podendo ser consideradas o bolso furado do produtor rural”, afirma.
O ambiente também influencia a transmissão. Dependendo da espécie, os animais podem se infectar ao ingerir ovos ou larvas presentes no solo ou por meio de hospedeiros intermediários, como minhocas e insetos. A limpeza das instalações, o manejo adequado dos dejetos e a orientação veterinária estão entre as medidas que podem ajudar a reduzir a exposição.
Os pesquisadores ressaltam que a criação ao ar livre não é, por si só, inadequada. O desafio é adotar práticas sanitárias compatíveis com cada sistema de produção, preservando suas características e garantindo o bem-estar animal. O uso de vermífugos também deve ser orientado por profissionais, considerando o diagnóstico e o risco de resistência aos medicamentos.
Os resultados reforçam a importância de ampliar o conhecimento sobre parasitas em pequenas criações, que podem contribuir para a alimentação familiar e a geração de renda no meio rural.
Sobre a pesquisa
Os estudos foram desenvolvidos pelo grupo liderado pelo professor Rafael Paranhos de Mendonça, vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Ciência Animal da Universidade de Franca (Unifran), com dados de estudos clínicos realizados entre 2014 e 2023.