Por Pedro Maia
Editor-chefe
Com 64.256.232 (sessenta e quatro milhões, duzentos e cinquenta e seis mil, duzentos e trinta e dois) votos, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi reeleito Presidente da República na noite desse domingo, 25. O resultado, no entanto, não é reconhecido por Flávio Bolsonaro (PL), seu oponente, em decorrência da decisão que prorrogou o horário eleitoral das 17h às 19h.
Inicialmente, as duas campanhas solicitaram a ampliação do horário de votação: a equipe de Lula pediu a prorrogação em 10 estados, enquanto que, a de Flávio, em 17 municípios espalhados entre São Paulo, Paraná e Santa Catarina.
A decisão foi tomada por Cristiano Zanin, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) em caráter de urgência, considerando graves os relatos de dificuldades no transporte de eleitores, especialmente em cidades da Bahia e na cidade de São Paulo. O anúncio foi feito próximo às 17h, horário em que normalmente se encerra o período de votação.
Segundo a Agência Brasil, após informações do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) de que diversas urnas já haviam sido fechadas, o ministro esclareceu que a prorrogação deveria ser aplicada somente às seções que ainda estavam abertas. Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, orientou os tribunais regionais a manterem essas seções em funcionamento. Os votos registrados nas urnas já encerradas seriam computados normalmente.
Não reconheceu
“É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Vamos usar nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições. A gente não está aqui para brincadeira. Não vou aceitar que essa regra tenha mudado em cima do jogo. Mais uma vez, pelos amigos do Lula do Supremo Tribunal Federal”, disse Flávio Bolsonaro à imprensa ao lado de aliados, em Brasília.
Flávio destaca que as intercorrências do segundo turno foram inaceitáveis. “O que aconteceu hoje não foi algo normal. Foi algo, inclusive, inaceitável. Um ministro da Suprema Corte, pela primeira vez na história, ex-advogado do Lula, dá uma canetada, a pedido de um ex-sócio dele, e muda a regra do jogo no meio do jogo. Às 17h01, o ministro Zanin, que não faz parte do Tribunal Superior Eleitoral [TSE], atropelando a justiça especializada, toma uma decisão prorrogando por duas horas as eleições. Isso nunca tinha acontecido na história do Brasil. Houve uma quebra total de isonomia entre os brasileiros de diversas cidades e diferentes estados. Eu nunca vou saber se num estado onde as urnas não foram reabertas quantos votos eu poderia ter. É inexplicável ter acontecido o que aconteceu”, disse o candidato.
O Senador recebeu 59.826.041 (cinquenta e nove milhões, oitocentos e vinte e seis mil e quarenta e um) votos, cerca de 4,4 milhões de diferença para o candidato do PT.
As reações às decisões tomadas pela Justiça próximo ao fim do pleito reacendeu, sobretudo nas redes sociais, o debate quanto à lisura do sistema eleitoral brasileiro.