Por Pedro Maia
Editor-chefe
Um levantamento realizado pela Acordo Certo apontou que as mulheres da região, entre Franca e Ribeirão Preto, são maioria entre os consumidores envidividados que apostam em Bets, representando 50,6%. Aquelas com 55 anos ou mais correspondem a 35,4% dos entrevistados que afirmam ter utilizado este tipo de serviço recentemente.
Os dados foram divulgados no relatório “Mulheres e Bets”. O índice revela a participação feminina 8 pontos percentuais acima da média nacional. Para 14% dos entrevistados, o jogo é uma forma de obter recursos, enquanto 63,6% afirmam que, caso tivessem ganhos, usariam o valor para pagar dívidas. A faixa de renda familiar entre dois e quatro salários mínimos concentra 32,9% dos participantes. Um terço está negativado e 43,9% estimam ter mais de R$ 5 mil em dívidas.
“Quando a aposta aparece como uma saída para pagar uma dívida ou fechar as contas do mês, ela deixa de ser apenas uma decisão de consumo e passa a concorrer diretamente com o dinheiro destinado às necessidades da família. O problema é que a promessa de ganho rápido pode fazer com que a pessoa coloque ainda mais recursos em uma situação financeira que já está fragilizada”, afirma Eduardo Cavalheiro, gerente de Comunicação da Acordo Certo.
O impacto aparece de forma concreta. Nos últimos 12 meses, 9,7% dos entrevistados afirmaram ter deixado de pagar uma conta ou recorrido a empréstimo, cheque especial ou cartão para colocar dinheiro nas plataformas. Em um mês ruim, 37% disseram que atrasam dívidas ou contas básicas. Entre os que tentaram reduzir ou parar de apostar, 22,6% afirmam que não conseguiram.
De acordo com Cavalheiro, a presença de mulheres e pessoas com mais de 55 anos amplia o debate sobre os diferentes públicos que passaram a acessar as plataformas. “Talvez o dado mais importante seja justamente mostrar que não existe um único perfil. São pessoas que podem chegar às apostas por razões diferentes, mas que estão sujeitas ao mesmo risco de transformar uma expectativa de ganho em mais uma fonte de pressão sobre o orçamento. Quando o jogo passa a disputar espaço com despesas básicas ou com o pagamento de dívidas, os reflexos podem alcançar toda a família”, explica.
O que jogam os apostadores da região
Os cassinos online ganharam a preferência dos entrevistados. 58,1% dos participantes mencionaram apostas em jogos como os famigerados “Tigrinho” e “Dragão”, entre outros similares. Ao mesmo tempo, apostas em resultados esportivos representaram menos de 1%. A entrada dos apostadores questionados, neste universo, também é recente: 61,3% afirmam apostar há menos de seis meses. Do total de pesquisados, 67,7% gastam até R$ 50 mensais.
A experiência com as plataformas também envolve outros tipos de problemas. Quase metade (48,1%) dos entrevistados que já apostaram afirma ter se sentido enganada por uma plataforma ou influenciador. Entre as situações relatadas estão não receber o ganho, ter a conta bloqueada ou cair em golpes.
A pesquisa ouviu 237 pessoas entre 31 de julho e 28 de setembro de 2026, em 21 municípios da região de Ribeirão Preto: Ribeirão Preto, Franca, Sertãozinho, Araraquara, Barretos, Bebedouro, Jaboticabal, Batatais, Pontal, São Joaquim da Barra, Taquaritinga, Monte Alto, Jardinópolis, Serrana, Orlândia, Ituverava, Guaíra, Guariba, Pitangueiras, Cravinhos e Barrinha.