Por Pedro Maia
Editor-chefe
A Promotoria de Justiça de São Joaquim da Barra, cidade a cerca de 61 quilômetros de Franca, apresentou, nesta segunda-feira (28/9), uma representação por atos infracionais contra um adolescente apontado como autor de uma série de ameaças (Artigo 147) e extorsão (Artigo 158), ambos tipificados no Código Penal Brasileiro. As ocorrências também incluem ofensas raciais (infrações previstas nos artigos 2°-A e 20 da Lei do Racismo – 7.716/89).
O documento abrange seis episódios registrados entre junho e setembro deste ano, todos realizados por meio de mensagens eletrônicas. A autoria foi vinculada ao jovem após as investigações identificarem um mesmo padrão de linguagem, uso de expressões específicas e outros elementos comuns entre as comunicações.
Com base nos fatos apurados, o Ministério Público solicitou ao Judiciário a aplicação de medida socioeducativa.
Histórico de ameaças e agressões virtuais
Conforme destaca o MPSP, o primeiro conjunto de ataques ocorreu em junho, quando o prefeito local e seus familiares receberam mensagens com ameaças de morte, tortura, violência sexual e menções ao uso de explosivos e armas de fogo. No mesmo mês, o jovem enviou mensagens a um vereador ameaçando matar o político e seus parentes, alegando que cometeria violência sexual contra familiares e proferindo ofensas raciais pejorativas contra a mãe do parlamentar.
Ainda em junho, o jovem tentou extorquir um delegado de polícia aposentado. Para obter a quantia de R$ 20 mil via chave Pix dentro de um prazo estipulado, o adolescente enviou a foto da filha do ex-delegado e ameaçou matar a família e cometer violência sexual contra a jovem caso o dinheiro não fosse pago.
O episódio mais recente foi registrado em setembro, focado em uma creche mantida por uma organização da sociedade civil. O adolescente enviou uma mensagem intitulada “banho de sangue”, afirmando que invadiria a unidade para atirar nas crianças. O texto continha referências a crianças negras, além de fotos de uma arma de fogo e do jovem vestindo uma máscara de caveira em frente a uma bandeira nazista, caracterizando apologia e discriminação por raça, cor e etnia.
Polícia Civil
De acordo com a Polícia Civil de São Joaquim da Barra, em informações divulgadas pelo CONSEG (Conselho Comunitário de Segurança) local, o adolescente foi internado junto ao CAI (Centro de Atendimento Inicial). A corporação esclarece que segue realizando diligências complementares e orienta a população a buscar informações exclusivamente por meio dos canais oficiais.