Por Pedro Maia
Editor-chefe
O Departamento Regional de Saúde (DRS) de Franca contabilizou, no 1° semestre de 2026, 454 cirurgias cardíacas. O número é quase metade dos procedimentos executados em todo o ano de 2025, que fechou com 978 intervenções.
As estatísticas foram apuradas pela reportagem do Jornal Verdade junto a SES-SP (Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo). Os recursos que custearam as operações são oriundos do programa Tabela SUS Paulista, do governo estadual, que destinou repasses a 26 instituições da região em complemento aos valores da tabela federal do Sistema Único de Saúde, com foco em hospitais filantrópicos e Santas Casas.
No Brasil, quase 30% da população tem hipertensão, segundo o Ministério da Saúde. O Dr. Rogério Okawa, diretor científico do Departamento de Hipertensão Arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia (DHA/SBC) explica que em períodos de frio, o organismo ativa mecanismos para conservar calor que podem provocar o aumento da pressão arterial. Já em dias muito quentes, a elevação da frequência cardíaca e outras respostas do corpo à perda de líquidos também podem sobrecarregar o sistema cardiovascular.
“Enchentes, secas e outros eventos climáticos extremos podem gerar estresse e ansiedade. Quando essa tensão se torna frequente, pode contribuir para oscilações da pressão arterial, o que exige atenção especial de quem já tem hipertensão”, ressalta o cardiologista.
A seguir, o Dr. Rogério Okawa detalha como as diferentes condições podem influenciar a pressão arterial e quais cuidados podem ajudar a população a enfrentar essas situações com mais segurança:
Calor: hidratação é uma das principais aliadas
Em dias muito quentes, o corpo perde mais líquido e pode haver oscilações da pressão arterial, além de sintomas como tontura, mal-estar, palpitações e até desmaios. “Durante as temperaturas mais altas, o ideal é não esperar a sede aparecer para beber água. Também vale evitar exposição prolongada ao sol, procurar ambientes frescos e ficar atento a sinais como tontura e fraqueza. Para quem já tem hipertensão, manter o tratamento e o acompanhamento médico é fundamental”, explica o especialista.
Frio: manter o corpo aquecido ajuda a proteger a pressão arterial
Quando a temperatura cai, os vasos sanguíneos se contraem para preservar o calor do organismo. Como consequência, o coração precisa fazer mais força para bombear o sangue, o que pode elevar a pressão arterial. “Nos dias frios, manter o corpo aquecido, especialmente mãos e pés, é uma medida simples que ajuda”, destaca.
Estresse: quando a tensão do dia a dia também pesa na pressão
Uma situação de estresse pode fazer o organismo liberar adrenalina e cortisol, hormônios que aceleram os batimentos e contraem os vasos sanguíneos, que pode provocar um aumento temporário da pressão. “Para driblar o estresse no dia a dia, podemos criar pequenas pausas para o corpo sair desse estado de alerta. Respirar profundamente, fazer uma caminhada, praticar uma atividade prazerosa e cuidar do sono são estratégias que ajudam a reduzir a tensão do dia a dia”, recomenda o Dr. Rogério Okawa.