O mercado imobiliário de Franca e região apresentou retração em julho de 2026, interrompendo o movimento de recuperação observado nos meses anteriores. De acordo com o resumo da pesquisa, as vendas de imóveis residenciais usados diminuíram 64,83% em relação ao período anterior, enquanto as locações registraram queda de 22,96%.
Apesar do recuo, os dados revelam características importantes da demanda regional. As negociações permaneceram concentradas em imóveis de padrão econômico e intermediário, com forte participação das casas e preferência por unidades de dois ou três dormitórios. O comportamento demonstra que, mesmo em um cenário de menor volume de transações, a procura continua direcionada a imóveis que combinam espaço, funcionalidade e valores compatíveis com a capacidade de pagamento das famílias.
Casas continuam liderando as vendas
As casas representaram 73% das vendas realizadas em julho, enquanto os apartamentos corresponderam a 27% das transações. A predominância dos imóveis horizontais confirma a preferência dos compradores por residências com maior área, mais ambientes e possibilidade de atender às necessidades de famílias de pequeno e médio porte.
Entre as casas vendidas, os imóveis de dois dormitórios foram responsáveis por 62,5% das negociações. As unidades de três dormitórios representaram 37,5%, não havendo registros de vendas de residências com apenas um dormitório ou com quatro dormitórios ou mais.
No segmento de apartamentos, as unidades de dois dormitórios foram maioria, representando 66,7% das vendas. Os apartamentos de até um dormitório responderam por 33,3%, sem registros de negociações envolvendo imóveis de três dormitórios ou mais.
Faixas de preço mais acessíveis concentram as negociações
O perfil de preços das vendas confirma a predominância dos imóveis voltados ao mercado intermediário. As unidades de até R$ 200 mil representaram 36,4% das transações, constituindo a principal faixa de negociação em julho.
Os imóveis entre R$ 201 mil e R$ 300 mil responderam por 27,3% das vendas, mesmo percentual registrado pela faixa de R$ 301 mil a R$ 400 mil. Juntas, essas três categorias concentraram 90,9% das negociações realizadas no mês.
A faixa entre R$ 401 mil e R$ 500 mil teve participação de 9,1%, enquanto não foram registradas vendas de imóveis acima de R$ 501 mil. Os números apontam para um mercado mais sensível às condições de crédito, à renda das famílias e ao custo total da aquisição, com maior movimentação nos imóveis de menor e médio valor.
Financiamento e pagamento à vista dividem a liderança
Em julho, o pagamento à vista e o financiamento pela Caixa Econômica Federal responderam, cada um, por 40% das vendas. O resultado demonstra a importância simultânea da disponibilidade de crédito e da presença de compradores com recursos próprios.
As aquisições realizadas diretamente com o proprietário representaram 20% das negociações. Não houve registros de financiamentos contratados com outros bancos nem de compras efetuadas por meio de consórcios.
A participação expressiva do financiamento habitacional reforça que a manutenção de linhas de crédito acessíveis continua sendo essencial para a recuperação do setor. Ao mesmo tempo, a presença relevante das compras à vista indica a atuação de consumidores que dispõem de recursos acumulados ou que buscam aproveitar oportunidades de negociação em um cenário de menor movimentação.
Região central e demais bairros dividem a preferência
A região central concentrou 25% das negociações, mesmo percentual observado nos bairros classificados como nobres. As demais regiões responderam por 50% das vendas. Esse resultado indica que os compradores consideram uma combinação de fatores na escolha do imóvel. Além da localização, aspectos como preço, tamanho, infraestrutura, acesso a serviços e possibilidade de deslocamento influenciam diretamente a decisão de compra.
Locações também recuam, mas casas mantêm ampla preferência
O mercado de locação apresentou queda de 22,96% em julho. Ainda assim, as casas continuaram predominando entre os contratos firmados, representando 69% das locações, enquanto os apartamentos corresponderam a 31%.
Entre as casas alugadas, os imóveis de três dormitórios lideraram com 66,7% dos contratos. As unidades de dois dormitórios responderam por 33,3%, sem registros de locações de imóveis com um dormitório ou com quatro dormitórios e mais.
Nos apartamentos, os imóveis de dois dormitórios foram responsáveis por 75% das locações. Os apartamentos de três dormitórios representaram 25%, sem contratos registrados para unidades de até um dormitório ou com quatro dormitórios ou mais.
Aluguéis se concentram entre R$ 1.500 e R$ 3.000
As faixas intermediárias também foram predominantes no mercado de locação. Os imóveis com aluguel entre R$ 1.501 e R$ 2.000 representaram 28,6% dos contratos, mesmo percentual observado na faixa entre R$ 2.001 e R$ 3.000.
Os imóveis com valores entre R$ 1.001 e R$ 1.500 responderam por 14,3% das locações, assim como aqueles com aluguel acima de R$ 3.001. Os imóveis de até R$ 1.000 também representaram 14,3% dos contratos.
Caução é a principal garantia, com presença significativa de fiadores
O depósito caução foi a modalidade de garantia mais utilizada em julho, respondendo por 50% dos contratos de locação. O fiador apareceu em seguida, com participação de 42,9%.
O seguro-fiança representou 7,1% das locações, enquanto não houve utilização de título de capitalização ou de outras modalidades de garantia.
Região periférica lidera as locações
A região periférica concentrou 50% dos contratos de aluguel. A região central respondeu por 43%, enquanto os bairros nobres representaram 7% das locações.
Diferentemente do perfil observado em junho, quando a região central havia concentrado a maior parte dos contratos, os dados de julho apontam uma distribuição mais equilibrada entre o centro e os demais bairros. Esse comportamento pode estar relacionado à busca por preços mais competitivos, maior disponibilidade de imóveis e alternativas de moradia próximas a áreas com infraestrutura urbana.
Pesquisa abrange Franca e municípios da região
A pesquisa de julho reúne informações de Franca e de municípios como Guaíra, Guará, Itirapuã, Ituverava, Miguelópolis, Patrocínio Paulista, Rifaina, São Joaquim da Barra e São José da Bela Vista. O levantamento contou com a participação de 48 corretores e imobiliárias, abrangendo 10 cidades que receberam a pesquisa.
Mercado atravessa julho em ritmo mais moderado
Os resultados de julho mostram um mercado imobiliário menos aquecido do que nos meses anteriores, com retração tanto nas vendas quanto nas locações. Ainda assim, a estrutura das negociações permanece consistente: casas lideram os dois segmentos, os imóveis de dois e três dormitórios concentram a preferência e as faixas intermediárias continuam sustentando a maior parte da atividade.
O cenário reforça a importância de estratégias comerciais alinhadas à realidade financeira dos consumidores, com imóveis bem precificados, documentação regularizada e condições de pagamento adequadas. Em períodos de menor volume de negócios, a atuação do corretor de imóveis regularmente inscrito no CRECISP torna-se ainda mais relevante para aproximar as partes, orientar compradores e locatários, avaliar corretamente os imóveis e reduzir riscos nas negociações.