O munícipe José Carlos Soares utilizou a Tribuna Livre da Câmara Municipal de Franca, durante a 26ª Sessão Ordinária realizada na manhã desta terça-feira (28), para apresentar sugestões sobre a saúde pública do município.
Saúde
Ao iniciar sua fala sobre a saúde, José Carlos afirmou que acompanha de perto a realidade do setor por já ter atuado na área e disse que a população enfrenta dificuldades para conseguir consultas, exames e cirurgias. Segundo ele, a ampliação da estrutura física, com novas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e a inauguração do Hospital Estadual, por si só não resolverá os problemas. “Não adianta construir UBS bonita e hospital novo se não houver médicos e profissionais para atender a população” disse.
O munícipe ressaltou que Franca é referência para cerca de 22 municípios da região, o que, segundo ele, aumenta significativamente a demanda pelos serviços de saúde e sobrecarrega a rede municipal.
Durante o pronunciamento, José Carlos relatou situações envolvendo longas esperas para consultas e exames, além de problemas na comunicação entre as unidades de saúde e os pacientes. Ele afirmou que encontrou agendamento para consulta pediátrica apenas para novembro e alertou o fato de pacientes não serem avisados quando consultas são canceladas por ausência de médicos, férias de profissionais ou problemas técnicos. “Ninguém atende um simples telefone para dar uma informação.”
Como exemplo, citou o caso de uma consulta, remarcada sem comunicação prévia, além de exames cancelados porque equipamentos estavam quebrados ou médicos haviam deixado o serviço público. Também relatou a situação de uma paciente que, segundo ele, aguarda desde 2018 por uma cirurgia para retirada do útero e teve procedimentos cancelados diversas vezes devido à ausência de médicos ou vencimento de exames
Ao final da participação, José Carlos propôs que a Comissão de Saúde da Câmara promova um seminário ou audiência pública envolvendo representantes dos 23 municípios da região para discutir a assistência regionalizada. “O nosso problema não é só de Franca. Precisamos discutir a saúde com todos os municípios da região” disse.
Ele também sugeriu que os recursos destinados pela Câmara à área da saúde priorizem a realização de cirurgias eletivas, especialmente diante das filas de espera existentes no município.
Vereadores
O vereador Gilson Pelizaro (PT) agradeceu a participação do munícipe e afirmou que os relatos demonstram a necessidade de aperfeiçoar a gestão da saúde pública. Segundo o parlamentar, muitos dos problemas apresentados poderiam ser resolvidos administrativamente, mas reforçou que também é necessário ampliar os investimentos na atenção básica.
“Se não ampliar as equipes de Saúde da Família para o atendimento básico da população, não vai desafogar as internações” pontuou. Gilson também voltou a questionar o pleno funcionamento do Hospital Estadual e lembrou que apresentou requerimentos questionando responsabilidades do Estado em relação à unidade.
O presidente da Câmara, Fransérgio Garcia (PL) afirmou que, além da limitação de recursos, o município enfrenta dificuldades para contratar médicos especialistas. Segundo ele, muitos profissionais optam pela iniciativa privada porque os valores pagos pelo serviço público não são competitivos. “Não adianta a gente ter estrutura física se nós não tivermos profissionais” disse.
Fransérgio defendeu que o Executivo encaminhe um projeto reavaliando a remuneração dos especialistas para tornar os cargos mais atrativos. “Não há interesse da classe médica em assumir cargos pelo salário oferecido. Se não pagarmos melhor, não teremos médicos especialistas para atender a demanda” afirmou.
A vereadora Marília Martins (PSOL) também comentou o tema e destacou que o fortalecimento da atenção básica é essencial para reduzir a sobrecarga das unidades de urgência e dos hospitais. “A atenção básica hoje é o que mais está em crise” apontou.
Ela defendeu maior investimento em prevenção e observou que há médicos recém-formados e residentes interessados em atuar na rede pública, desde que encontrem condições adequadas de trabalho. Marília também ponderou que o desafio da contratação de profissionais não depende exclusivamente da remuneração, mas envolve questões relacionadas à organização do serviço e às formas de contratação adotadas pelo município.