Uma derrota em finais nunca é recebida com naturalidade. Mas, depois de quatro temporadas consecutivas levantando o troféu do NBB CAIXA e vindo de duas séries de playoffs decididas no Jogo 5, o Sesi Franca sabe muito bem que decisões longas exigem algo além do talento: é preciso ter capacidade de absorver golpes sem perder o rumo.
Após a derrota por 94 a 92 para o Pinheiros no Jogo 3 da grande decisão, ocorrida nesta quinta-feira (04/06), no Ginásio do Ibirapuera, o discurso francano passou longe do desespero. Em vez disso, foi marcado por análise, autocrítica e confiança. Ainda em vantagem por 2 a 1 e com dois possíveis jogos diante de sua torcida, a equipe reconheceu os problemas que impediram o encerramento do campeonato, mas manteve o olhar voltado para a próxima oportunidade. De acordo com o técnico Helinho Garcia, o equilíbrio da partida ficou dentro do que era esperado para o duelo. “Foi um jogo equilibrado, dentro daquilo que a gente sabia que iria ser. Alternamos momentos. Acredito que faltou um pouco mais de consistência defensiva, principalmente em momentos mais importantes da partida, para que a gente pudesse obviamente ter o domínio do jogo nas nossas mãos.”
O comandante também reforçou uma filosofia que acompanha o grupo ao longo dos últimos anos. Em uma equipe acostumada a disputar títulos, o desafio passa por controlar tanto a euforia no triunfo quanto a frustração diante de um revés. “É como eu sempre falo: a gente não pode nem estar muito triste depois de uma eventual derrota, nem muito feliz depois de uma eventual vitória, porque o próximo jogo é o que nos pertence. Agora teremos o quarto jogo ao lado da nossa torcida, com o Pedrocão lotado, para que a gente possa buscar dar o terceiro passo na série e consequentemente levantar o troféu do campeonato”, completou o treinador.
Desgaste
Dentro de quadra, o desgaste também apareceu como um dos fatores determinantes para o desenrolar da partida. Cristiano Felício destacou as dificuldades enfrentadas pelo elenco após a saída temporária de Nacho Laterza. O armador argentino saiu carregado de quadra após uma lesão logo no primeiro quarto. O camisa 10 até tentou retornar depois do intervalo, mas só conseguiu atuar por mais dois minutos. “Eu acho que a gente jogou bem na medida do possível. A gente perdeu o Nacho por um tempo, que é uma peça importante para a gente no meio do jogo, e a gente sabe que jogar com seis ou sete jogadores na rotação é difícil, ainda mais com o Pinheiros nessa intensidade alta durante toda a partida”, analisou o pivô francano.
Felício também apontou aspectos específicos que, na sua avaliação, contribuíram para a derrota. “Agora é voltar para casa, rever os erros, rever o que a gente pode fazer melhor. Acho que hoje os determinantes foram os rebotes de ataque. Eles pegaram bastante, que é uma virtude deles. Mas a gente sabe que tem dois jogos em casa para decidir. É levantar a cabeça e seguir em frente.”
A mesma confiança apareceu nas palavras de Corderro Bennett. Cestinha francano na partida com 23 pontos, o ala-armador reconheceu os méritos do adversário, mas deixou claro que o grupo mantém plena convicção de que pode encerrar a série diante de sua torcida. “O Pinheiros fez um bom jogo. A gente teve chance para ganhar, não conseguimos, mas agora teremos a chance de fechar em casa. A gente vai sair com a vitória”, disse o norte-americano.
Se o Jogo 3 mostrou que o Pinheiros está disposto a lutar até o último segundo para prolongar a decisão, o discurso da equipe do interior paulista evidencia outro fator importante da série. Após anos disputando os maiores jogos do país, o atual tetracampeão conhece como poucos a diferença entre sofrer uma derrota e perder o controle de uma final. O primeiro obstáculo aconteceu no Ibirapuera. Mas com o playoff retornando ao Pedrocão, os francanos buscam serenidade para recalcular a rota e tentar o desfecho no próximo capítulo.
O NBB CAIXA é uma competição organizada pela Liga Nacional de Basquete, com patrocínio máster das Loterias, Caixa Econômica, Governo do Brasil, parceria do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), chancela da Confederação Brasileira de Basketball, bola oficial Molten, marca oficial Kappa, patrocínio Cruzeiro do Sul Virtual e Eurofarma e parcerias oficiais IMG Arena, Genius Sports, EY e NBA.
Fonte: LNB (Adaptado)