Por Pedro Maia
Editor-chefe
O Coren-SP (Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo) enviou uma nota à imprensa repudiando, publicamente, o comportamento do vereador Leandro O Patriota (PL), de Franca, após denúncias de agressões que teriam sido praticadas pelo parlamentar contra profissionais de enfermagem no município.
Segundo a nota, nos últimos dias, profissionais de enfermagem do Pronto Socorro Municipal Dr. Álvaro Azzuz passaram por constrangimento durante seu exercício profissional, sob a justificativa de fiscalização por parte do vereador.
“A enfermagem é exercida com autonomia e respaldo técnico e legal. Além disso, o Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem lhes garante direitos como o de exercer as atividades em local livre de riscos e violências, o requerimento de desagravo público, a negação a ser exposto nas redes sociais e até a suspensão das atividades em condições inseguras de trabalho”, destaca o Conselho.
Na última sexta-feira, 1° de maio, a Comissão de Enfrentamento à Violência, do Coren-SP, esteve no hospital para acolher e orientar os profissionais de enfermagem sobre as medidas legais cabíveis. A ação contou também com a presença do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Franca (Sindserv).
“O Coren-SP vai acionar o Ministério Público sobre as atitudes do vereador, que vão na contramão do bem-estar coletivo e do direito a um atendimento seguro e de qualidade na saúde. A violência não resolve nenhuma situação de discordância”, enfatizou a autarquia. “As agressões no ambiente de trabalho infelizmente é uma realidade para 80% dos profissionais de enfermagem do estado, segundo levantamento do Coren-SP. Entretanto, essa realidade deve ser mudada, e o Conselho trabalha com ações concretas para isso. Agir contra a violência também é cuidar da enfermagem e da saúde da população”, concluiu.

O vereador Leandro O Patriota (PL) (Divulgação/CMF)
Esclarecimento
A reportagem do Jornal Verdade procurou o vereador Leandro O Patriota (PL) a fim de obter seu posicionamento sobre o abordado na matéria. Segundo o vereador, a denúncia não tem fundamento. “Essa denúncia é infundada. Recebi uma demanda, o pedido de uma munícipe, que a avó dela estava internada há seis ou sete dias no Álvaro Azzuz com problemas no pulmão. Eu fui lá atender, como sempre faço. Visitei pessoas na ala de internação no ano de 2025, praticamente quase todos os dias, e esse ano também”, disse Leandro.
De acordo com ele, os problemas se iniciaram após uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) com base no acontecido em Itatiba-SP, quando um político adentrou diversas vezes ao hospital com o objetivo de filmar e averiguar o atendimento, inclusive com uso de força física contra controladores de acesso da unidade médica.
“Comecei a ter problemas depois dessa decisão. O que eles fizeram? Eles abriram um precedente para todos os secretários de saúde, de todos os municípios, usar essa jurisprudência. Então eles começaram a usar isso. Nesse dia, eles informaram que eu não poderia entrar por conta disso, porque agora tem uma jurisprudência que o vereador não pode entrar mais na ala. Tem vários apontamentos lá, como questão de risco, várias coisas. Fui informado que a secretária tinha barrado, não ia permitir mais a minha entrada na ala. Só que até sair essa resposta deles, demorou em torno de 40 minutos. Foi quando eu entrei lá dentro da ala para perguntar por que estava demorando tanto chegar a informação, a resposta, se eu ia poder entrar ou não”, explicou.
O parlamentar afirma que uma servidora começou a alterar o tom de voz, solicitando que ele saísse da sala, pois estaria atrapalhando o atendimento da triagem. Entretanto, ele diz que estava do lado de fora e que testemunhas que estavam lá podem confirmar. “A enfermeira-chefe da ala estava lá também, em momento algum eu desrespeitei a chefe dela. Ela não deveria estar falando comigo, quem tinha que estar falando comigo era a enfermeira-chefe da triagem, mas ela começou a falar comigo, a aumentar o tom de voz, a pedir para eu sair do local, que eu não podia ficar lá, que eu não podia entrar lá e falou um monte de coisa lá. Só que essa moça já me deu trabalho em outras unidades. Eu lembro que uma vez também ela começou a querer levantar a voz e tal, e eu saí de perto. Só que dessa vez eu não aceitei, porque é um desrespeito com o parlamentar, que só quer ajudar a população”, declarou Leandro.
Patriota acredita que a questão é pessoal e motivada por ideologias que diferem da sua. “Em momento algum eu a desacatei, mandei calar boca… Ela falou que tem gravado. Se ela tivesse gravado vídeo, ela já tinha mostrado, né? Mas vamos aguardar aí agora. Eu tô achando bom essa decisão. Eu acho importante ir para o Ministério Público, porque agora eu vou conseguir mostrar todos os pedidos de ajuda que eu recebo, a situação das pessoas que elas me mandam”.
“No contexto geral é isso, não teve nenhuma agressão contra servidor, isso é a narrativa que eles levantam porque eu tô fiscalizando. Eu tô de olho, eu recebo muito material, recebo fotos do pessoal na área da enfermagem dormindo, na hora do serviço, e tratando mal as pessoas, com falta de educação. Então assim, eu tenho esse material e, na hora certa, eu vou apresentar”, concluiu o vereador.