Quase 30% das empresas brasileiras fecham antes de completar cinco anos, segundo levantamento divulgado pelo IBGE em 2024 com base no Cadastro Central de Empresas. A taxa de sobrevivência dos negócios com até cinco anos foi de 71,9%, o que evidencia a dificuldade estrutural enfrentada por quem inicia uma atividade sem capital de giro, reserva financeira ou planejamento mínimo.
Para a educadora e empreendedora digital Sabrina Nunes, especialista em comércio eletrônico e fundadora da marca de acessórios Francisca Joias, o dado confirma um padrão observado na prática. “Muita gente começa motivada por uma necessidade imediata de renda, mas sem clareza de público, margem e fluxo de caixa. O entusiasmo não substitui método”, afirma.
A fragilidade financeira é ainda mais sensível entre os pequenos. Dados do Sebrae publicados em 2024 mostram que o acesso restrito a crédito e a ausência de gestão estruturada figuram entre os principais fatores associados ao encerramento precoce das atividades. No recorte dos microempreendedores individuais, a informalidade e a falta de planejamento são apontadas como gargalos recorrentes. Para a especialista, o problema não está apenas na falta de dinheiro, mas na ausência de preparo técnico. “Educação prática reduz erro. Quando a pessoa entende precificação, custo fixo e variável e posicionamento, ela evita decisões impulsivas que comprometem o caixa nos primeiros meses”, diz.
A transição crítica para o digital e estratégias de mitigação de risco
Em março, período em que projetos iniciados no começo do ano passam da fase de intenção para a execução, o risco de desistência aumenta diante dos primeiros custos e da ausência de retorno imediato. “É quando o empreendedor percebe que vender não é apenas postar produto. Existe estratégia, análise de concorrência e construção de marca”, afirma Sabrina.
No digital, onde a promessa de baixo investimento inicial atrai iniciantes, erros básicos se repetem. A Associação Brasileira de Comércio Eletrônico informou em janeiro de 2026 que o setor deve manter crescimento próximo de dois dígitos no ano, após faturamento superior a R$200 bilhões em 2025. Apesar da expansão, a competição elevada exige diferenciação e gestão profissional.
Para Sabrina Nunes, reduzir riscos ao empreender sem capital exige organização desde o primeiro dia. Ela aponta três medidas básicas que aumentam a previsibilidade do negócio:
Em março, quando projetos iniciados no começo do ano entram na fase decisiva de execução, a tendência é que empreendedores enfrentem os primeiros desafios de caixa e validação de mercado. Para a especialista, transformar intenção em negócio sustentável depende menos de aporte inicial e mais de preparo técnico. Educação prática e acompanhamento constante são, segundo ela, fatores que aumentam a chance de permanência no mercado e reduzem erros que costumam comprometer empresas ainda nos primeiros meses de atividade.