Os 15 réus investigados por participação em um esquema de agiotagem que movimentou milhões de reais em Franca deverão voltar à cadeia. A determinação é do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP), que acolheu o recurso apresentado pelo Ministério Público contestando a liberdade provisória concedida aos envolvidos no final do ano passado, pela 3ª Vara Criminal do município.
O Tribunal compreende que os acusados representam risco à ordem pública e podem prejudicar o andamento das investigações, motivo pelo qual foram expedidos mandados de prisão imediata. Segundo o Ministério Público, o grupo atuava de forma estruturada, com divisão de tarefas e hierarquia definida. As investigações apontam que os envolvidos realizavam empréstimos com cobrança de juros abusivos e utilizavam ameaças, intimidações e até violência para garantir o pagamento das dívidas.
Entre as provas reunidas durante a Operação Castelo de Areia, conduzida pelo GAECO (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), estão interceptações telefônicas, registros bancários e documentos que indicariam a prática recorrente dos crimes. Dentre os 15, Antônio Mathias é considerado foragido após ser citado em um episódio de agressão durante uma cobrança.
Anteriormente, a Justiça havia aplicado medidas cautelares, como comparecimento periódico em juízo, proibição de contato entre os investigados e restrição para deixar a comarca. No entanto, o Tribunal entendeu que tais medidas não eram suficientes para assegurar o regular andamento do processo. Conforme apontado na decisão, há indícios de que integrantes do grupo teriam continuado atuando mesmo após ações anteriores e demonstrado, em conversas interceptadas, que não temiam eventual punição.
O processo tramita sob segredo de justiça, e os réus deverão permanecer presos enquanto a ação penal segue em análise.