Por Pedro Doin, Presidente do PT de Franca/SP
A praça é nossa é o nome de um humorístico consagrado na televisão brasileira, que teve origem em 1956, na extinta TV Paulista, com o nome de A praça da alegria, comandado pelo saudoso Manoel de Nóbrega.
O formato transitou entre distintas redes na televisão aberta e foi apresentado até por Mielle na Rede Globo de Televisão. Mas sua consolidação veio no final da década de 1980, sob condução de Carlos Alberto de Nóbrega, no SBT.
O sucesso do programa está em sua simplicidade, com um cenário baseado no banco de uma praça, onde humoristas e as suas personagens estereotipadas, que circulam por ali, param para uma conversa descontraída com o apresentador.
Direcionado ao grande público, o programa consagrou inúmeros humoristas, como Ronald Golias, Maria Tereza, Jorge Lafond, Roni Cócegas, Moacir Franco, entre tantos outros, com personagens marcantes como a Velha Surda, o Pacífico, o Lindeza, o Jeca Gay, o Paulinho Gogó, e um sem número de tipos populares, que tinham como missão única arrancar um riso rápido e fácil do grande público em suas casas.
Um dos mais duradouros programas da televisão brasileira tem seus méritos em retratar de forma muito simples a vida do povo brasileiro e suas agruras, com a leveza da comédia pastelão. A mesma praça, o mesmo banco, e histórias infinitas, capazes de retirar o cidadão comum de sua estafa diária para um momento de risos sinceros e incontroláveis.
Além das personagens folclóricas, o programa teve um apelo muito significativo em razão de sua ambientação. A praça, cenário de encontro, onde a vida ganha em seu aspecto social, onde a comunidade se reconhece, onde a convivência ultrapassa os muros e portões das residências, onde as pessoas podem se conhecer e construir seus afetos, onde o lugar público ganha ares de acolhimento, onde as memórias são transmitidas entre as gerações, onde as crianças podem se divertir sem pesares e os adultos podem contemplar seus rebentos e esquecer suas tormentas cotidianas.
Mas, aqui na Franca, bicentenária, às vésperas de seu aniversário de 201 anos, as principais praças da cidade, Barão e Nossa Senhora da Conceição, que ficaram anos fechadas por tapumes, como que embaladas para presente, foram entregues à população sem um pingo de alegria, sem um motivo sequer para comemorar.
Parece que o prefeito Alexandre não gosta muito da comédia pastelão. Ele prefere o humor ácido, que enxerga graça no sofrimento alheio, que faz do sarcasmo, da ironia e da sátira um instrumento de controle dos espaços públicos. Talvez por isso seus bancos sejam de concreto e cobertos por uma tinta cinza que mais espanta do que acolhe, seus pisos sejam sujos e esburacados, e sua reforma de dois milhões e quatrocentos mil reais não traga nada que justifique tal monta aos olhos dos transeuntes.
Diante de tudo isso, o povo segue fazendo piadas, para tentar esquecer um pouco de sua triste realidade. Houve um que ilustrou bem o sentimento popular, ao dizer que diante de tanto tempo com as praças fechadas por tapumes, sua expectativa era a de que, quando fosse retirado o embrulho, surgiria na praça uma linda princesa. Porém, segundo o mesmo, quando retiraram o tapume, no lugar de uma princesa, tinha mesmo era um sapo!
Para ficarmos na expressão popular, o caso seria cômico, se não fosse trágico. Dá até pra ver o prefeito parafraseando o Ronald Golias com aquele bordão: “Ôces goza, mas no fim, quem goza ocês sou eu”.
E fica a pergunta ao douto Ministério Público da Franca do Imperador: onde foi parar tanto dinheiro? É que como diria o Explicadinho, “eu gosto das coisas muito bem explicadinhas, nos seus míiiiiinimos detalhes!”.