“As Três Marias nasceu como um gesto de escuta das memórias do interior paulista e, desde sua estreia, costura histórias que são também nossas: de mães, filhas e netas, de silêncios e resistências, de dores e esperanças.” Lucas Gonzaga
Nos dias 12 e 13 de setembro, às 20h, o Sesi Franca apresenta o espetáculo teatral “As Três Marias”, em sessão com intérprete de Libras no sábado. A peça é indicada para maiores de 14 anos e tem entrada gratuita. Para reservar seu ingresso, basta se cadastrar na plataforma Meu Sesi.
Mãe de vinte e cinco filhos, Maria Eugênia viu suas perspectivas de vida serem reduzidas ao domínio de um homem que a tornou refém de uma vida inglória. Lembrada até hoje pela família como uma das mulheres mais felizes que já conheceram, ela é o retrato de inúmeras Marias do Brasil.
Também no sábado, às 15h, o diretor da peça, Lucas Gonzaga, irá ministrar a oficina “Teatro, memória e identidade”, que traz jogos dramáticos e danças brasileiras como ferramenta para a criação de cenas teatrais que partam dos vestígios da memória e da identidade.
Escrito por Luís Alberto de Abreu especialmente para a Dupla Companhia e dirigido por Lucas Gonzaga, o espetáculo acompanha três gerações de uma família interiorana e nos coloca diante de relatos que atravessam o tempo. Em cena, a violência de gênero, o desamor e a força feminina se entrelaçam à memória coletiva, convidando o público a refletir sobre o lugar das mulheres na história e sobre a urgência de romper com silenciamentos.
A cada apresentação, em mais de 40 cidades dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, As Três Marias reafirmou o papel do teatro como espaço de encontro e de pertencimento. A marca das 100 apresentações celebra e representa milhares de pessoas alcançadas, centenas de comunidades envolvidas e a construção de uma rede de memórias compartilhadas.
O espetáculo integra a Trilogia Memória da Dupla Companhia — ao lado de “Nise em Nós – uma ode ao delírio” (2025) e “Laudelina” (2025) — e integra um repertório que, nos últimos dez anos, tem colocado em cena histórias atravessadas por experiências coletivas, memórias invisibilizadas e os desafios da vida cultural no interior paulista.
Comemorando essa marca histórica, a companhia reafirma sua aposta em processos artísticos de longa duração, em diálogo com artistas e pensadores do Brasil e do mundo, sustentados por uma escuta atenta ao território. Celebramos aqui a possibilidade de, juntos, inventarmos novos imaginários.
Sobre a Dupla Companhia
Ao longo da última década, a Dupla Companhia construiu um repertório que dialoga com as camadas simbólicas da memória, do território e da identidade, colocando em cena histórias atravessadas por experiências coletivas e pelos desafios da vida cultural no interior paulista. A trajetória do grupo compreende dois momentos distintos: um primeiro, marcado por uma abordagem experimental voltada a dramaturgias consolidadas (“Esperando Godot”/2019), “Alma Pueril”/2020 e “Ícaros”/2021); e um segundo, iniciado durante a pandemia, quando, em meio ao isolamento, passamos a olhar demoradamente para as nossas memórias e iniciamos a criação da Trilogia Memória. Essa trilogia teve início com “As Três Marias” (2022), com texto inédito de Luís Alberto de Abreu escrito especialmente para a companhia em parceria com o SESI-SP; seguiu com “Nise em Nós – uma ode ao delírio” (2025), a partir da história de Nise da Silveira, com direção e dramaturgia de Duda Rios; e se completa com “Laudelina” (2025), solo com atuação de Rafaele Breves, direção de Luiza Loroza e texto inédito de Cristiane Sobral. Em 2025, como reconhecimento dessa trajetória, a sede da companhia foi certificada como Ponto de Cultura. Neste mesmo ano, em celebração aos dez anos de atuação, estrearemos o espetáculo “Por Trás do Céu”, com direção de Inês Peixoto e texto de Caio Sóh. A Dupla Companhia tem privilegiado processos artísticos de longa duração, construídos em colaboração com artistas e pensadores do Brasil e do mundo, sustentados por uma escuta atenta ao território. Sua atuação propõe um teatro comprometido com a coletividade, com a invenção de imaginários possíveis e com a formação de públicos diversos, reafirmando o papel da arte como prática de liberdade, de memória e de transformação.
Ficha Técnica
Texto Inédito: Luís Alberto de Abreu
Direção Geral: Lucas Gonzaga
Elenco: Gabriela Carriel, Hugo Muneratto, Ismênia Leão, Lucas Gonzaga, Miranda Gonçalves, Rafaele Breves e Victor Mota
Preparação de Elenco: Grácia Navarro, Andréia Nhur e Kiko Marques
Preparação Vocal: Babaya Moraes
Dramaturgia da Voz: Francesca Della Monica
Suporte Teórico: Elena Vássina, Joaquim Gama e Luís Cláudio Machado
Iluminação: Lucas Gonzaga
Operação de Luz: Vinicius Melo
Visagismo: Claudinei Hidalgo
Assistente de Cabelo e Maquiagem: David Lenk
Cenografia e Adereços: Lucas Gonzaga, Hugo Muneratto, Franklin Breves, Eurides Breves e Diego Breves
Figurinos e Acessórios: Nour Koeder e Lucas Gonzaga
Bonequeira: Lucia Helen Art’s
Assistentes de Figurino e Cenografia: Nádia Rodrigues e Luna Marcelino
Consultoria em Acessibilidade: Edgar Jacques
Audiodescrição: Ray Oliveira (direção), Keiko Trida (roteiro), Sidney Tobias (consultoria) e Taiz Lenk (locução)
Direção de Produção e Idealização: Lucas Gonzaga
Fotografia: Rodrigo Costa, Andressa Baldoni e Paulo Preto Fortunato
Realização: SESI-SP
Sinopse
O título da nova peça de Luís Alberto de Abreu, “As Três Marias”, propõe algumas analogias possíveis. Maria Eugênia (avó), Maria de Lourdes (filha) e Maria Aparecida (neta) são as Marias do título. A dramaturgia cruza as histórias dessas mulheres com elementos da história local, a cidade de Tatuí, interior de São Paulo. A encenação articula teatro, poesia e música em torno da história dessa família interiorana que faz do Rio Tatuí um rio de lágrimas e memórias e vê nele espelhado o desejo de continuar existindo. Mãe de vinte e cinco filhos, Maria Eugênia viu suas perspectivas de vida serem reduzidas ao domínio de um homem que a tornou refém de uma vida inglória. Lembrada até hoje pela família como uma das mulheres mais felizes que já conheceram, Maria Eugênia é o retrato de inúmeras Marias do Brasil e sua memória levanta um nevoeiro sobre as histórias de Maria de Lourdes e Maria Aparecida.
Serviço
TEATRO – As Três Marias
Local: Av. Santa Cruz, portão 14 – Jardim Centenário, Franca/SP
Data e horário: 12 e 13 de setembro, às 20h
Classificação indicativa: 14 anos
Intérprete de Libras no sábado, 13/09
OFICINA – Teatro, memória e identidade
Local: Av. Santa Cruz, portão 14 – Jardim Centenário, Franca/SP
Data e horário: 13 de setembro, às 15h
Classificação indicativa: 14 anos