Reportagem: Esther Minah D. Policcis
Imagens: Voepass
Araraquara, Barretos, Olímpia, Araxá… cidades de menor porte do que Franca já tem suas ligações aéreas em atendimento à demanda regional, com voos regulares e diários interligando a várias capitais, cidades estratégicas e até no exterior.
A falta de ação e visão no interesse real de lideranças empresariais, que poderiam se aliar às empresas aéreas para serviços de cargas, encomendas rápidas e transporte de passageiros, deixa de oferecer aos milhares de francanos e moradores da região que tem como opção de linhas aéreas as ligações de Ribeirão Preto, Araxá, Passos e Uberaba, tendo que usar autos particulares ou locados para acessar esses voos.
Em março de 2019 o então deputado Roberto Engler anunciou em nota oficial da Alesp que o governador João Dória estava autorizando a retomada de voos comerciais no Aeroporto de Franca.
‘Novela’ se arrasta há 12 anos: “É pura bazófia”
O noticiário extenso e variado circulou na Imprensa e nas redes sociais há mais de 12 anos, envolvendo o governador Dória, o deputado Engler e outras pessoas envolvidas no tema, mas sem concretização e apenas em tom de ‘novela’.
Outros ‘capítulos’ vêm sendo repetidos, sempre por ex-assessor do deputado aposentado, como forma de se autopromover, usando recursos públicos em viagens, reuniões e outras bazófias, de acordo com um experiente agropecuarista que usa o aeroporto para embarque em sua aeronave particular, rumo ao Centro-Oeste. Ele avalia que parece ‘brincadeira de menino’ as notícias promovidas para engabelar a população.
O noticiário da época, com timbre da Assembleia Legislativa, anunciava:
<<<A retomada dos voos comerciais entre Franca e São Paulo ocorrerá ainda neste ano. O anúncio foi feito pelo governador João Dória, na quinta-feira (28/3/2019), na capital. Inicialmente, deverão ser três voos semanais entre os aeroportos Tenente Lund Presotto e o Internacional de Guarulhos. Os pousos e decolagens semanais podem chegar a até cinco por semana, a depender da demanda de passageiros. Serão utilizadas aeronaves com capacidade para 138 passageiros. Para isso, nos próximos dias, ainda deverão ser promovidas algumas adequações na estrutura do aeroporto de Franca.
O deputado Roberto Engler, que por diversas vezes trabalhou pela volta dos voos comerciais a Franca, celebrou a notícia. “É uma ótima novidade. Os voos podem ser um trunfo para fomentar a economia, ajudar a fechar negócios, promover o turismo na região e gerar empregos. Parabenizo o governador João Doria pela novidade positiva”, afirmou o parlamentar. “Entre 2012 e 2014, quando conseguimos intermediar investimento de mais de R$ 10 milhões no nosso aeroporto, nos esforçamos para que houvesse interesse das empresas em operar na cidade, mas sempre havia a questão da viabilidade financeira. O pedido da desoneração do combustível chegou inclusive a ser feito por uma delas. Agora, esse obstáculo foi reduzido pelo governador João Dória, em uma medida que beneficia Franca”, disse Roberto Engler.>>>
Bazófia e perda de tempo
Empresa de Ribeirão Preto, a VOEPASS que se refaz de um acidente recente e vem tomando medidas para recuperar a preferência, passou a operar em outras cidades, deixando algumas fora do novo plano e alterando os destinos nas capitais mais movimentadas nas linhas aéreas: deixou de operar no ‘Santos Dumont’ mas agora chega ao Galeão, no Rio de Janeiro, mantendo os destinos até a capital paulista com opções a Congonhas e Guarulhos, sempre partindo do Aeroporto “Leite Lopes” de Ribeirão Preto.
Nessas alterações, a VOEPASS ignorou o mercado potencial de Franca, assim como a Azul, Gol e Latam também não se interessam por voos até aqui, como ocorria em outros tempos e mantinha frequências para São Paulo, Rio de Janeiro, Cuiabá, Campo Grande, Brasília, Goiânia e Belo Horizonte, em conexões que permitiam, ainda, ligações com rotas internacionais das principais capitais do país.
Empresários, médicos e profissionais que usam as linhas aéreas conectadas em Ribeirão Preto ou Uberaba, os aeroportos mais próximos, comentam que tudo não passa de vaidade exacerbada e presunções que divulgam se vangloriando do ‘sonho’, alimentando promoções pessoais de políticos inexperientes que iludem as pessoas com notícias, imagens e informações sempre ‘requentadas’ nessas bazófias. “Aviação comercial é negócio e tem que dar lucro, para operações rentáveis e linhas regionais”.
Desde 2019 o ex-deputado Engler já previa que o entrave é a rentabilidade financeira, programar voos em Franca para voar sem passageiros nenhuma empresa vai investir para agradar interesses políticos. Antes de tudo, o movimento de venda de passagens deve dar suporte à operação, o que precisa ser avaliado por entidades do setor empresarial e, também, ‘avalizado’ por órgão federal (ANAC) e do interesse às conveniências recíprocas, das empresas aéreas e dos passageiros e seus destinos.
Voos particulares e passeios

Voos particulares no aeroporto são feitos em aeronaves de empresas e, eventualmente, para o transporte de órgãos a serem transplantados, traslados fúnebres ou raras visitas de autoridades e exibições aero esportivas, aulas de pilotagem e voos panorâmicos, ou passeios de “Teco-tecos”, divertimento e sonhos de crianças…
As novas rotas nacionais da VOEPASS têm ligações em quase todo o país, operando com aeronaves a jato e turboélices, cumprindo roteiros desde Ribeirão Preto até Fernando de Noronha, além de várias capitais e cidades médias. Outras novas rotas chegam à região Norte, Centro-Oeste e Nordeste: Presidente Prudente (SP), Juiz de Fora e Ipatinga (MG), Florianópolis e Joinville (SC), Santa Maria e Pelotas (RS), Recife (PE), Manaus, Carauari e Porto Urucu (AM). A vizinha cidade de Araxá (MG) conta com voos regulares da Azul a Viracopos e em conexão internacional até Fort Lauderdale, nos Estados Unidos.