Sábado, 17 de dezembro de 2022. Terminada a cerimônia, noivos e convidados partiram para o local da festa, um buffet. Naturalmente, um dia muito feliz para os participantes! Por volta das 22h30, a pista foi liberada, uma fila foi sendo formada aos arredores e as pessoas começavam a se servir. Também na fila, Taylla Maria Lopes Barci Prado. Chegando a sua vez, foram reabastecer o rechaud – que já havia fogo – com um galão de álcool líquido. Foi então que a explosão aconteceu: como numa cena de filme, Taylla, seu marido e duas mulheres se feriram… Enfeites das mesas… pratos… copos e tudo o que pudesse estar próximo dali se perdeu.
“Rapidamente, fui socorrida pela equipe de corpo de bombeiros e fui levada para a Santa Casa de Franca. Após terem feitos os primeiros socorros, fui encaminhada ao Hospital São Joaquim, onde fui entubada às pressas pois havia queimado as vias aéreas correndo o risco de perder a vida”, relata Taylla. A vítima teve 60% do corpo queimado, sendo transferida mais uma vez para outro hospital, um especializado em queimaduras em Ribeirão Preto. “Fiquei em coma por 20 dias e internada 2 meses e meio. Passei por diversos procedimentos, grandes e pequenos. Sigo em tratamento desde então, fazendo cirurgias e mais cirurgias”, completa. A mulher, natural de São José da Bela Vista e com 22 anos à época, teve ainda algumas complicações durante o período de tratamento, mas, como ela diz, “desistir, nunca esteve em meus planos”!
Pós-coma
Ao acordar do coma, Taylla Lopes não fazia a mínima ideia do que estava acontecendo, afinal de contas, não conseguia se lembrar de absolutamente nada. “Só sabia que tinha acontecido um acidente comigo, mas não o que era e muito menos a gravidade. Fui me recordando alguns dias depois e a mente ficava confusa, sentia dor onde foram feitos os procedimentos cirúrgicos, mas não conseguia falar o que sentia”, explica a jovem, que usava um aparelho de traqueostomia. Seu desespero ainda era grande, pois se sentia “longe de todo mundo” e com “pessoas desconhecidas” ao seu redor.
As cirurgias que Taylla ainda faz, devido à gravidade de suas queimaduras, são reparadoras. “Precisei fazer muitos enxertos onde a área doadora foram os dois lados das minhas costas, direito e esquerdo; as duas pernas; coxa direita; panturrilhas direita e esquerda; e a coxa esquerda com a parte de dentro. As áreas que receberam os enxertos foram os dois braços esquerdo e direito e, hoje, as cirurgias são para reparar onde foi enxertado e as cicatrizes das áreas doadoras”, afirma.
Outras vítimas
Seu marido – que também havia sido atingido – ficou internado, porém, em um outro hospital. Ele também precisou fazer cirurgia: sua área doadora foi o couro cabeludo e, a área que recebeu os enxertos, foi o braço direito. “Hoje está bem e já voltou as atividades de trabalho. As outras duas pessoas também foram atingidas, mas hoje estão bem”, elucida a mulher.
A funcionária não se queimou. Taylla, no entanto, não consegue se lembrar do rosto da mulher: “Acredito eu que ela não teve nenhum tipo de instrução, pois a mesma deveria retirar o fogareiro do rechaud e levar para outro ambiente para poder abastecer e não foi assim que foi feito. Ela pegou um galão de álcool de 5L embaixo da mesa onde estávamos nos servindo e abasteceu ali mesmo”.
De acordo com Lopes, os donos do buffet procuraram seus pais somente nos dias do ocorrido, dizendo que iriam ajudar, mas depois sumiram: “a colaboradora nunca procurou”.
Fase de adaptação
Segundo a vítima, sua vida era super ativa. Ela, que era auxiliar de produção, se mantém afastada do trabalho desde o dia acidente. “Ainda não consegui voltar às atividades e também não tenho previsão de quando voltarei. Hoje faço terapia, fisioterapia e sempre tenho consultas médicas. Desde então, não recebi alta para voltar ao trabalho”, conta.
“Uma coisa de minutos que fez mudar a vida inteira! Hoje tenho muitas limitações, mas me adaptei a elas e, dentre tudo isso que aconteceu durante esse tempo, aprendi a ser cada vez mais grata, não fico reclamando de como estou e não me importo de como estão me olhando, pois isso foi uma das coisas que aprendi a conviver: com olhares. Olhares das pessoas que julgam e olhares das pessoas que me olham com o coração, que tem uma diferença muito grande”, destaca Lopes.
Um conselho…
“Há momentos na vida que passamos por coisas que nunca nem sequer estiveram em nossos piores pesadelos, mas são coisas que precisamos passar. Não entendemos o motivo, mas Deus tem um propósito para tudo e todos, e ele te dá uma força absurda para suportar e passar por todos os obstáculos da vida… E você passa… Você consegue! A vida é hoje, a hora é agora, viva, não perca tempo, aproveite as pessoas que estão ao seu lado, ame, demonstre amor… Amanhã pode ser tarde, talvez ele nem chegue, e independente da situação que esteja vivendo não desista: vai passar… Tudo passa… Não há dor que dure para sempre”.
Taylla finaliza com uma passagem da bíblia: “Não fui eu que ordenei a você? Seja forte e corajoso! Não se apavore, nem desanime, pois o Senhor, o seu Deus, estará com você por onde você andar (JOSUÉ 1:9)”.