A decisão da Câmara Municipal de Cristais Paulista de não realizar a sessão extraordinária solicitada pela prefeita Katiuscia Leonardo Mendes (PSD) tem gerado revolta entre os cristalenses. A reunião, que teria que acontecer ainda em 2022, seria realizada para que os vereadores aprovassem um projeto que permitia o repasse de R$ 1,2 milhão em recursos do Estado.
A prefeita tentou protocolar o pedido para a realização da sessão extraordinária na última quarta-feira, 28, mas na ocasião ela, que estava acompanhada de diversos cristalenses, encontrou as portas da Câmara fechadas, em recesso.
Mesmo sem atender a prefeita, os vereadores divulgaram pelas redes sociais um vídeo onde a vereadora Marilene Moraes (PTB) leu um comunicado informando que não havia sessão neste ano. E, ainda de acordo com a vereadora, somente em 2023 seriam votados projetos.
“Achei uma decisão infantil e sem nexo. Uma verdadeira falta de respeito com a população. Os recursos ajudariam a população. Eu dependo da saúde pública e serei prejudicada, já que o dinheiro também seria para isso. Nunca vi situação igual. Trabalhar junto é a chave do sucesso. Com certeza com R$ 1,2 milhão teríamos um grande salto na cidade”, disse a doméstica aposentada Maria Antônia da Silva, 62.
“Enxergo mais como uma disputa pessoal dos vereadores com a prefeita e isso acaba prejudicando a população. Tem tempo que estamos aguardando e merecíamos pelo menos uma justificativa. Poderiam ter aberto a Câmara e falado conosco. Além das casas, que agora não saberemos quando sairão, tinha recursos para recapeamento e saúde”, disse Silvio Henrique Vilela, 34, que é um dos contemplados com as moradias populares.
“Com certeza prejudicará a população, afinal os recursos eram para a cidade. É um caso político e que prejudica os cristalenses”, disse Zildo José de Oliveira, que afirmou nunca ter presenciado situação semelhante na cidade.
Pelas redes sociais muitos cristalenses também criticaram a decisão dos vereadores.
“Independente de lado político o que está em jogo são melhorias pra no nosso município isso que estão fazendo com ela e desumano”, escreveu Silmara Vieira Silva.
“Acho que está passando da hora de parar com essa oposição e ajudar o Executivo a cuidar dos interesses da população. Já é bem claro e todos sabem uma andorinha sozinha não faz verão”, escreveu Josi Alves.
“Não dá pra entender… tão fácil resolver…”, escreveu Selma Silva.
“Se eles têm divergências políticas a população não tem nada com isto”, foi o desabafo de Luís Carlos.
“Ser oposição é normal agora trabalhar contra a cidade é trair seus eleitores que confiou nestes vereadores”, escreveu Waltemir Dantes.
Em nota, a Prefeitura informou que “as ações realizadas nesta semana são todas em prol da população cristalense. A luta é para que não se perca verbas que somadas chegam ao valor de R$ 1.2 milhão. E, para isso, é necessário que seja feita uma Sessão Extraordinária para aprovar os investimentos no orçamento deste ano”.
A administração municipal da cidade informou ainda que “A necessidade da sessão na última semana do ano acontece por conta de duas situações. A primeira delas é que a concretização das verbas aconteceu no último dia 22. Além disso, o segundo ponto é que a LOA (Lei Orçamentária Anual) de 2023 foi reprovado, ou seja, se não houver a liberação das verbas até o próximo dia 31, os valores serão perdidos e isso prejudicará demais diversas famílias de Cristais Paulista”.
A reportagem do jornal Verdade tentou contato com o presidente da Câmara de Cristais Paulista, Antônio Moraes, o Totonho, mas ele não atendeu as ligações feitas para o seu celular.