A cada dia mais mulheres se destacam na área empresarial de Franca e despontam com negócios de sucesso. Um levantamento junto a Rais (Relação Anual de Informações Sociais), do Ministério da Economia, realizado pelo Instituto de Economia da ACIF (Associação do Comércio e Indústria de Franca), feito no início deste ano, mostrou que na área de empreendedorismo, na cidade de Franca, existiam 29.390 empresas, tendo sido 13.701 delas abertas por mulheres, o que representa 46,6% dos empreendimentos abertos na cidade de Franca.
O comércio varejista de artigos de vestuário e acessórios é o campeão entre os empreendimentos abertos por elas. Seguido do setor de beleza, serviços domésticos e de promoção de vendas.
Entre as mulheres que se destacam no empreendedorismo em Franca está a empresária Rosângela de Andrade Pelizaro, de 57 anos, atual coordenadora geral do CME-ACIF (Conselho da Mulher Empreendedora da Associação do Comércio e Indústria de Franca).
No CME desde 2007, a empresária participa do grupo que se reúne quinzenalmente com o objetivo de discutir e analisar as realidades da Mulher Empreendedora na cidade de Franca e, juntas, buscam incentivar o crescimento conjunto das integrantes.
Rosângela falou com o Verdade sobre a importância do CME e do empreendedorismo feminino em Franca. Como começou e o que acredita ser o caminho para aquelas mulheres que sonham em empreender.
Como surgiu o seu envolvimento com o empreendedorismo?
Surgiu em aproveitar o que produzíamos em nosso sitio. Em uma conversa com minha irmã, que mora em São Paulo, ela me pediu uma bucha dizendo que lá era difícil de encontrar e quando encontrava era de péssima qualidade. Isso me despertou a ideia de investir no plantio e industrialização da bucha vegetal.
Desde quando integra o CME-ACIF e como enxerga o trabalho realizado pelo Conselho?
Estou no CME desde 2007 e me encantei com a causa do empreendedorismo feminino, mas foi a necessidade de poder compartilhar as minhas dúvidas e problemas sobre a empresa, que me fizeram estar engajada ao grupo em busca do empoderamento pessoal e profissional. O CME faz o trabalho de trazer as empresárias para vivência e aprendizado sobre gestão, através de experiências, palestras, Fórum, visitas técnicas, congressos e cursos.
Como vê o desenvolvimento do empreendedorismo feminino ao longo dos últimos anos?
O Empreendedorismo feminino evoluiu muito, as mulheres têm buscado cada vez mais empreender, gerar renda e buscar conhecimento. A quantidade de mulheres empreendedoras tem crescido não apenas no Brasil, mas no Mundo, sendo que 51,1% dos novos empreendimentos espalhados pelo mundo foram iniciados por mulheres.
O que acredita que falta para que as mulheres ocupem mais espaços no empreendedorismo?
Mudando paradigmas, mostrando para o mercado que é imprescindível para a sustentabilidade do mercado ter mais mulheres empreendendo. Além disso, garantir e reafirmar a posição feminina dentro do empreendedorismo é essencial para que outras mulheres se dediquem e comecem a tirar suas ideias do papel. Pegarmos, como inspiração, os casos de empreendedorismo feminino que deram certo.
Como fortalecer o empreendedorismo feminino em Franca?
Através de incentivo ao conhecimento, como o CME (Conselho da Mulher Empreendedora) faz, trazendo trocas de experiências, cursos, etc.
Existe algum exemplo de empreendedora feminina que você destacaria?
Existem muitas mulheres que se destacam nesse universo, mas vou dar um exemplo de uma que esteve recentemente em nosso Fórum: Alcione Albanesi. Desde criança ela já mostrava um talento para empreender e ao longo da vida ela usou isso também para o social, sendo um exemplo de empreendedora empresarial e social.
Quando criança, ela fazia rifas dos presentes que ganhava e guardava o dinheiro. Ela também sempre pedia doações para a creche que a mãe ajudava. Ela fez intercâmbio com 14 anos para estudar inglês e com apenas 16 anos, com o dinheiro das rifas, montou uma loja de confecção, e, aos 17 anos, já tinha 80 funcionários.
Antes dos 30 anos fundou a FLC Lâmpadas. Em paralelo ao sucesso como empresária, criou a Amigos do Bem, onde junto com um grupo de amigos arrecadou alimentos e roupas, para distribuir no Nordeste durante o Natal.
Os dois projetos de Albanesi foram crescendo paralelamente. Atualmente ela se dedica integralmente à Instituição Amigos do Bem, que se tornou o maior projeto social do país e ela é considerada um das 500 personalidades mais influentes da América Latina pela Bloomberg Brasil e é vencedora do Prêmio Melhores & Maiores da Revista Exame, na categoria Empreendedor Social.
Depois de dois anos o Fórum da Mulher Empreendedora voltou a ser realizado neste ano. Qual a importância dessa ação para fomentar o setor em Franca?
O Fórum traz aprendizado e vivência com outras empresárias, de Franca e de todo o país. Sempre saímos de lá motivadas e com bagagem para fazermos algo diferente em nossas empresas, além de vermos exemplos positivos que nos motiva a buscar uma melhoria em nossa gestão. Esse dia fica dedicado ao conhecimento para aplicação em nossos negócios, sendo assim reflete positivamente nos negócios da nossa cidade.
Como você avalia o trabalho feito pela ACIF em apoio ao empreendedorismo feminino em Franca?
A ACIF, através do CME, traz apoio à empresária francana e da região dando suporte físico em suas dependências e humano, disponibilizando pessoal capacitado para atendê-las, além de toda a assessoria que a associação presta aos seus filiados através de seus produtos e serviços, como: suporte jurídico, qualificação em e-commerce, marketing e mídias sociais dentre tantas outras, participação em missões empresariais pelo país e suporte em programas importantes como o Empreender, que reúne empresários de um mesmo segmento para buscar soluções interessantes aos desafios que cada setor da economia enfrenta.
Que dica você daria para uma mulher que deseja empreender, mas tem receio do que encontrará pela frente?
Acreditar em si e buscar o conhecimento para alcançar o seu objetivo, fazendo um planejamento e se apoiando em exemplos de empreendedorismo.
Tem algo que você aconselharia hoje, se tivesse a chance, para a Rosângela lá atrás, quando começou a empreender?
Teria me dedicado mais ao planejamento de curto e longo prazo e dado mais atenção ao plano de negócios.
Deixe uma mensagem para as mulheres que estão te lendo e que gostariam de investir no empreendedorismo.
A mulher já empreende todos os dias, o que ela precisa é transformar a ideia de empreender em realidade, acreditando em si. Ela pode chegar aos seus objetivos buscando conhecimento e orientação. Sempre falo: “Tudo acontece para quem está em movimento”.