O empresário João Rocha, de 65 anos, é um dos candidatos a deputado estadual em Franca, pelo União Brasil. Além da atuação em vários segmentos, como construção civil, mercado de automóveis, indústria de calçados e outros empreendimentos, João tem larga experiência política.
Ele trabalhou em várias secretarias municipais na primeira gestão do prefeito de Franca, Maurício Sandoval (1977 e 1983) e, na segunda gestão (1989-1992), foi vice-prefeito e presidente da Emdef (Empresa Municipal para o Desenvolvimento de Franca).
O candidato disputou as eleições municipais de 2020, para o cargo de prefeito em Franca, e foi o terceiro colocado no primeiro turno. Em entrevista ao Verdade, João Rocha destaca suas experiências, pontos de vista e proposta para áreas primordiais para bem atender a população.
João, o senhor é de Passos, mas mora em Franca desde criança. Como surgiu sua ligação com a cidade?
Na verdade, nós somos oriundos de Passos, com uma vida difícil e papai e mamãe resolveram nos trazer para Franca. Éramos seis irmãos, papai barbeiro, mamãe costureira, e, trazidos para cá, pra quê? Para tentar melhorar a vida, para trabalhar e nós todos bem jovens começamos a trabalhar. Nós viemos em 1967, eu tinha dez para onze anos e eu tenho que dizer o seguinte, nessa vinda nossa, como já disse, papai com a barbearia, mamãe costureira, Franca nos acolheu, formamos todos os irmãos e a vida sorriu pra nós.
Sobre a sua vida política. O senhor foi vice-prefeito de Franca, secretário municipal e presidente da Emdef. O que o motiva hoje, João, disputar uma vaga na Assembleia Legislativa?
Nós participamos de duas administrações, uma como secretário, a outra como vice-prefeito e presidente da Emdef. Na primeira gestão do Maurício Sandoval na Prefeitura, fui assessor de Comunicação, mas quando alguém tirava férias ou se afastava por qualquer problema, eu era praticamente um coringa na prefeitura e assumi várias secretarias, como a Secretaria de Agropecuária, Indústria e Comércio, de Obras, além da chefia de gabinete algumas vezes. Nós trabalhamos em vários setores na Prefeitura, o que graças a Deus nos deu uma vivência boa e uma visão clara daquilo que a Administração Pública. Disputamos duas eleições de prefeito; a primeira foi em 1982, quando nós fomos segundo colocados, com apenas 24 para 25 anos. Nós perdemos por uma diferença muito pequena, cerca de seiscentos, setecentos votos, não me lembro ao certo. Depois fui vice-prefeito com o Maurício e, mais recentemente, eu achei até que eu estivesse vacinado em relação à política porque nós ficamos cerca de 30 anos fora, afastados, mas nós retornamos e nessa última eleição (2020), nós batemos na trave. Foi por muito pouco para não termos ido para o segundo turno. Mas foi uma campanha bonita, em que tivemos propostas concretas, o acolhimento à nossa campanha, às nossas propostas foi muito grande. E nós entendemos que, já que nós voltamos para fazer política, eu não tenho que ficar parado dois anos e meio eventualmente esperando uma próxima eleição municipal, se eu posso estar nesse momento candidato a deputado. E com certeza nós vamos fazer uma campanha bonita e, se Deus quiser, vitoriosa. E nós vamos, sim, nesses dois anos e meio daqui para frente trabalhar junto ao Governo do Estado, na condição de deputado estadual para que nós possamos fazer por Franca e também pela região o que nós pudermos fazer de melhor, usando a nossa experiência, o nosso trabalho, as relações que nós temos, inclusive a nível de estado e não só aqui para a região de Franca mais próxima, mas também para outras cidades onde nós temos trabalhado, levantando inclusive algumas demandas, como é o caso de Jaú, que eu tenho chamado que é uma cidade irmã nossa, ou co-irmã, que tem uma atividade industrial muito próxima da nossa e muitas semelhanças em relação às demandas que nós temos aqui.
E quais serão as suas prioridades se eleito deputado estadual?
Na verdade, é importante que as pessoas entendam que o deputado estadual ou o deputado federal tem funções específicas e essas funções específicas são: primeiro, legislar, porque o deputado é um legislador. Segundo, fiscalizar o Executivo, que é fiscalizar o Governo do Estado, mas é claro que além dessas atividades, que são precípuas e inerentes do próprio cargo, o deputado pode, numa boa relação, num trabalho bem feito junto aos prefeitos, às cidades, à própria população, estar levantando e defendendo algumas necessidades, que nós chamamos de demandas. Nós temos que ter um olhar muito criterioso, mas muito criterioso mesmo, e eu gostaria que você frisasse isso aqui, para a questão saúde. Franca e região estão num sofrimento por falta de vagas, por atendimento. Sabemos inclusive de pessoas que estão com cateter colocado no corpo, por estar com uma pedra de rim por exemplo, e estão com esse cateter há mais de ano e só pode ficar no máximo por seis meses. É inadmissível uma situação dessas! Então nós temos, na condição de deputado, que fazer duas coisas: Agir junto ao Governo do Estado para que vagas sejam abertas, para que recursos tenham e cheguem às regiões, para que essas populações sejam atendidas; e, se necessário for, eu não tenho dúvida, criticar também os prefeitos, fazer o exercício que o povo precisa que seja feito. O povo precisa de voz. O povo precisa de alguém que conheça a realidade e que faça por ele aquilo que ele sozinho não consegue fazer e não tem voz. Então, essa vai ser a voz do João Rocha.
O que o senhor destaca de suas experiências pessoal e profissional que podem contribuir para um eventual mandato como deputado estadual?
Bom, primeiro é o fato de nós termos trabalhado muito na área de construção civil, eu como (ex)presidente da Emdef, por exemplo, conheço a fundo o que é fazer e as necessidades de se fazer algumas obras. Nós temos as realidades das enchentes que precisam de soluções que nós chamamos de macrodrenagem. Nós sabemos como fazer isso. Nós sabemos como defender isso junto ao Governo e nós precisamos resolver esse problema. Na questão calçadista, eu fui industrial calçadista, produzi, fui exportador também e eu acho que nós temos condição, sim, conhecendo a realidade do setor calçadista de Franca, de Jaú, de Birigui, de ir junto ao Governo do Estado e lutar por impostos menores, por taxas menores, por devolução dos créditos de exportação, porque isso sufoca a indústria e é um direito da indústria, não tem porque o Estado ficar segurando isso. Então, se nós defendermos essa realidade para a indústria, nós obviamente estaremos defendendo também o emprego, a renda e aquilo que a população precisa. A nossa experiência pessoal, eu tenho certeza absoluta, vai contribuir sim e o empresário francano, o empresário jauense, o empresário de Birigui e as populações trabalhadoras dessas regiões podem saber que a voz deles vai ser a voz do deputado João Rocha.
João, o eleitor em Franca tem quase 20 candidatos a deputado estadual. Por que o senhor deve ser o eleito, deve ser o escolhido dos eleitores?
Bom, eu vou respeitar as candidaturas, porque há candidaturas que os partidos exigem, independente às vezes, desculpa o que eu vou falar, do candidato ter ou não condição de ser eleito. Nós sabemos, sem necessidade de falar nomes, mas nós sabemos que tem candidato aí que infelizmente entrou para ver o que que vai acontecer. Se ele tiver cem votos, está bom, se tiver duzentos, está bom. Mas o que eu tenho dito é o seguinte, que poucos desses candidatos, e eu vou repetir, poucos desses candidatos têm realmente experiência e condição de ganhar a eleição e de bem representar uma cidade, uma região e trabalhar efetivamente pelo Estado. E eu, particularmente, dado a minha experiência, dado ao meu histórico de votos, eu tenho certeza que nós temos condição de fazer um bom trabalho. E vou fazer um alerta para a população, pode não ser o João Rocha, mas procure votar em candidatos que tenham condição de se eleger e de bem representar a nossa população na Assembleia Legislativa.
O senhor já comentou algumas propostas, mas gostaria que o senhor detalhasse por áreas. Vamos começar pela Educação.
Na verdade, eu vou repetir, lembrando que o deputado tem funções específicas, mas quando se fala por exemplo de Educação, o que que o deputado pode e o que ele não pode? O deputado não pode montar um projeto que gere gastos, isso o Legislativo não pode, essa é função do Executivo. E tem candidato aí que nem sabe o que está falando, o deputado pode sugerir, ele pode indicar, ele pode defender. Então, nós temos que defender o quê na área de Educação? Primeiro, uma merenda de excelência, porque os nossos meninos que estudam na escola pública, eles precisam ser bem alimentados, porque uma vez bem alimentado, ele vai ter condição psicológica de um bom estudo. Nós precisamos aprimorar os nossos cursos de professores, melhorar a qualidade do nosso ensino, através de cursos que realmente possam fazer com que os nossos professores se tornem cada vez mais qualificados e mais especialistas. Estou dizendo isso inclusive também porque sou professor e militei muito tempo na área. Eu acho que as verbas da Educação, que a gente chama de verbas específicas, que o governo é obrigado a gastar nessa área, elas precisam ser bem aplicadas. Na questão da alimentação nas escolas, tem uma falha muito grande, porque eu acho que um nutricionista tinha que estar acompanhando em cada escola a alimentação que é servida. Por exemplo, aqui em Franca, nós ouvimos uma série de reclamações, e eu não sei se ainda está acontecendo, mas os meninos ficaram vários dias comendo pão com frango, pão com presunto, essa não é a alimentação que o nosso menino precisa ter. Nós não podemos admitir isso, nem por parte do Governo do Estado, nem por parte dos prefeitos municipais.
Na questão de Segurança Pública.
A Segurança Pública, veja bem, no Brasil, ela fica a cargo realmente dos Estados. E nós temos hoje um problema muito sério dos efetivos, que estão, segundo a própria Corporação, sendo diminuídos, eles estão sendo limitados e o Governo do Estado para cobrir isso tem inclusive regionalizado alguns serviços. Por exemplo, hoje você faz uma ligação para chamar a polícia, ela não é atendida mais em Franca, ela é atendida numa cidade fora daqui. Só que eu vou dizer uma coisa, eu acho que não tem nada demais, porque se a ligação for rápida, se for urgente e se ela efetivamente, em termos de tecnologia, surtir o efeito que ela precisa surtir e atender aquele serviço que precisa ser prestado, eu acho que não tem problema, mas é um olhar que também nós precisamos ter em termos de quê? Que as verbas da segurança sejam aplicadas e que a sociedade civil em conjunto com os municípios ajudem também nesse setor. Por exemplo, as câmaras de vigilância? Isso hoje, nos municípios maiores, é fundamental. Por quê? É uma ação preventiva. Porque se nós agirmos em termos de segurança com prevenção nós estamos imediatamente evitando o quê? O crime efetivo, o delito. No meu entendimento é que nós temos que trabalhar no setor de prevenção. Essa é a minha visão para Segurança Pública.
Saúde.
A Saúde, nós acabamos de falar, desculpa eu falar e eu gostaria que você colocasse isso realmente nessa entrevista. Mas Franca hoje vive um caos. E eu não sei porquê, até alguns meios de comunicação parece que estão protegendo o nosso prefeito, mas eu gostaria que colocasse isso. Por quê? Nós temos alguns absurdos acontecendo nas nossas unidades de atendimento, alguns absurdos de não ter vagas na nossa Santa Casa, nós não temos leitos, nós não temos vagas, nós não temos remédios para atender a nossa população, o remédio que o governo é obrigado a ter, remédios básicos e isso não está acontecendo. Então nós temos que fazer o quê? Vamos ganhar as eleições e nós precisamos sentar, se o prefeito entender que deve, ele pode sim me usar, embora nós sejamos adversários. Mas ele precisa atender a população, porque senão a mão pesada e dura vai cair sobre ele, porque ele precisa atender a nossa população. E disso nós não abrimos mão.
Para a área de Infraestrutura?
Eu acho que os problemas maiores que nós temos na nossa cidade e na região são os problemas das enchentes, o problema das macrodrenagens, os problemas que nós temos também em relação a não pavimentação, à falta de esgoto, à falta de água. Algumas questões, em Franca, graças a Deus, são problemas já resolvidos e eu tenho a felicidade de dizer que nessas resoluções nós participamos porque a Estação de bombeamento de água do Canoas, nós é que fizemos a ampliação dela na época junto com o Maurício de 5 milhões para 25 milhões de litros / dia, é ela que mantém Franca abastecida nos dias de hoje. A Estação de Tratamento de Esgoto também é da época em que nós estávamos na Prefeitura junto com o Maurício e eu na condição de vice. Então, Franca tem essa situação, é referência em saneamento básico, mas muitas cidades aqui em volta não têm. E nós temos que olhar para isso, para essa infraestrutura, porque se você tem água, se você tem esgoto, se você tem os bairros asfaltados e tudo bem cuidado, você consequentemente proporciona qualidade de vida e bem estar à população, e está diminuindo a questão doença. Infraestrutura e saneamento básico significam menos doenças, é menos gente lá no nosso hospital, é mais leito liberado. Então, nós precisamos ter uma atenção muito especial para isso e não deixar em hipótese alguma que essa falta de infraestrutura prejudique o nosso meio ambiente.
E para a geração de empregos?
Eu vou dizer uma coisa que pouca gente às vezes tem esse olhar que eu tenho ou que já enxerguei. Houve um momento em que Franca vivia – eu estou falando especificamente de Franca pela questão calçadista; Jaú também tem essa mesma situação – o apogeu da indústria calçadista, algumas décadas atrás, o povo lutava e pedia muito pela diversificação industrial. Eles queriam outros tipos de emprego, não queriam só a fábrica como local de trabalho. Infelizmente essa diversificação demorou. Veio a crise do sapato e, por incrível que pareça, a diversificação começou a acontecer. Muita gente que trabalhava no setor de pesponto, costura, migrou para onde? Migrou para a lingerie, para o moletom, para as bolsas e nós acabamos criando alguns segmentos diferentes de indústria. Hoje, se você olhar para Franca, nós temos uma indústria alimentícia fortíssima, indústria de panificação, indústria de chocolate, indústria de doce, que funcionam e funcionam muito bem e precisam ter um olhar também especial. Nós temos também aqui indústrias de cosméticos, que já está muito forte dentro de Franca, produzindo inclusive para o Brasil. Essa diversificação veio e nós precisamos ter um olhar para essas indústrias, porque se nós tivermos uma indústria forte, se nós tivermos uma indústria protegida e quando eu digo protegida, não é a indústria contra o funcionário não, é uma indústria sólida para que ela possa pagar bons salários, dar boas condições de trabalho, gerando renda. E na medida em que ela gera renda, consequentemente, o nosso trabalhador vai gastar no nosso mercado, ele vai estimular o comércio, que é uma outra grande fonte geradora de emprego. Então, nós temos uma cadeia que precisa ser olhada de maneira geral. E não esquecendo aqui na nossa região do agronegócio, que é fortíssimo, e que até pouco tempo estava muito voltado para cana e agora estamos tendo a volta da produção de grãos, do café, do milho, da soja, certo? Então, esse também é um setor fundamental, ele precisa também ser olhado e precisa também ser defendido. E esses setores podem ter certeza que vão ter a porta aberta para conversar com o João Rocha, deputado estadual. Tem uma coisa que o povo tem que entender. Gente, vá às urnas. Vá votar. Não tem nada que não passe pela política. Se você quer que existam e tenham soluções que sejam boas, procure votar em candidatos que conheçam a realidade da sua cidade, da sua região, para que você possa ter realmente o retorno efetivo daquilo que o seu representante pode te dar.
