Mais uma vez a situação de abandono vivida pelo prédio da antiga Estação Mogiana, voltou a ter destaque na Câmara. A moradora do local, Edivânia Maria Borges, usou a tribuna onde pediu apoio para resolver o problema que se arrasta há anos, mas que se tornou pior após a pandemia.
“Sou uma pobre que sai de casa de manhã e em dois quarteirões são dez, quinze moradores de rua parando nós, pulando nas nossas mãos para tirar as sacolas, defecando na nossa frente, eu não estou aqui só por mim, é pela Franca inteira.
Durante a sua fala, a moradora de Franca destacou que além dos moradores, os comerciantes estão sendo prejudicados com a situação. “Os lojistas estão fechando porque não suportam mais e como que fica a nossa situação? O lixo que está é uma vergonha. Hoje quando levantei a primeira coisa que vi quando acordei é pedinte na porta de casa, e ninguém faz nada. Por que lá no viaduto Dona Quita tirou os moradores de rua rápido de lá? Porque é cartão postal de Franca, mora gente importante, por que lá no condomínio de luxo que teve no ano passado tiraram os moradores de rua? Cinco moradores de rua, passou meia hora a polícia tirou na Vila Hípica, porque mora gente importante?”, desabafou.
Além de Edivânia, o empresário Washington Luís Bueno também usou a tribuna, onde destacou os problemas que enfrenta como comerciante no local. No desabafo, Bueno deixou claro que paga os impostos em dia e que sente que não há um retorno quanto a isso.
“A Estação virou um antro de bandidagem, pedintes e moradores de rua, a gente entende que o morador de rua tem os seus direitos constitucionais, são pessoas, são cidadãos, mas o cidadão pagador de impostos somos nós. Está todo mundo indignado porque ninguém faz nada. A gente precisa de ação, precisa de atitude. Ninguém quer bater em morador de rua, ser hostil, ser agressivo, mas não está sendo recíproco. Onde está o nosso direito? Nós cidadãos pagadores de impostos? Viemos pedir ao Poder Legislativo que nos ajude”, desabafou.
Há anos o prédio histórico da Mogiana é alvo de reclamação dos moradores e comerciantes em volta, atualmente o local está tomado por barracas improvisadas que abrigam moradores em situação de rua.
A principal reclamação dos vizinhos do local é em relação ao aumento de furtos e roubos na região, além da ação destas pessoas que pedem dinheiro e quando não são atendidos, chegam a ser agressivos.
Atualmente uma licitação está aberta para a reforma do local, orçada em mais de R$ 3 milhões, foram duas tentativas do Poder Executivo, mas nenhuma empresa se interessou pela reforma.
Segundo a Prefeitura, com o início dos trabalhos no local, a região também irá receber as ações do Programa ‘Dignidade’, com o objetivo de amparar às pessoas em situação de rua e recuperar os espaços públicos, devolvendo-os para a utilização de toda a comunidade, como foi realizado na Vila Gosuen, com a construção do CEPEL e Viaduto Dona Quita, com a instalação de ponto de apoio para motofretistas.
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Moradores de rua e favelas são realidades que os francanos não estão acostumados, porém muito comum em grandes centros. É muito pouco provável que seremos uma ilha “uma Suíça” dentro do Brasil, imune a estes problemas sociais. É algo que que nunca houve e que devemos de agora em diante estar preparados para enfrentar. Não existe varinha mágica. Se tivesse, cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Ribeirão Preto já teriam usado e acabado com o problema. Estudar o assunto, ouvir especialistas, planejar e sem pirotecnia, tomar posição e agir com responsabilidade e sem holofotes.