Muita coisa dentro do contexto econômico está mudando para o setor calçadista. Segundo dados divulgados recentemente, a economia deverá aquecer este ano para as indústrias francanas. Por outro lado, há algumas controvérsias sobre a geração de empregos e salários para os trabalhadores destas indústrias.
Sendo assim, a reportagem apurou diretamente com o atual presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Calçados de Franca, Sebastião Ronaldo de Oliveira, se a perspectiva para a classe em 2020 está realmente demonstrando otimismo. A resposta dessa questão e outras serão levadas para a pauta da assembleia geral que será realizada nesta quinta-feira (30), na sede do sindicato.
Segundo o presidente, nos últimos dois anos as indústrias de Franca têm pago o salário dos trabalhadores com base apenas no índice inflacionário. O que o sindicato está buscando desde então é que além desse índice, a classe consiga o aumento real. A proposta do percentual desse reajuste não foi divulgada.
O presidente enfatizou que precisa da aprovação da pauta nessa assembleia. “Vamos primeiramente discutir o índice para depois acontecer a convenção coletiva. Não é muito diferente do que reivindicamos no ano passado. Queremos a recuperação das perdas salariais, o abono escolar e a participação de lucros e resultados. Temos quase 100 reinvindicações, mas essas são as principais”, pontuou.
Após a assembleia, o sindicato deverá protocolar até a próxima semana, essa pauta de reivindicações no sindicato patronal, no caso o Sindifranca (Sindicato da Indústria de Calçados de Franca). A partir daí, abre-se o calendário das negociações entre os dois sindicatos, para que o novo salário seja pago a partir de março, que é a data-base da categoria.
Novo cenário
Para Sebastião Ronaldo, o ano de 2019 foi atípico em relação ao final do ano. Geralmente entre novembro e dezembro, as indústrias faziam demissões em massa e a recontratação ocorria somente em março do ano seguinte.
O presidente disse que se surpreendeu com o avanço que teve no final do ano. “Todos os anos, as empresas faziam aquele monte de demissão e o que ocorreu foi que eles deram férias para os trabalhadores e alguns já até retomaram nesse início de ano”, revelou.
Mais produção e empregos
Atribuindo aos benefícios concedidos pelos governos nas esferas – federal e estadual, respectivamente, no âmbito da Reforma Trabalhista e do ICMS reduzido de 7% para 3,5% para os fabricantes de calçados, Ronaldo acredita no aumento para 2020 da produção e de empregos para os francanos.
Referindo-se a Couromoda realizada este mês, ele enfatizou que o empresário está mais confiante e que isso também será positivo para o trabalhador. “Só resta colocar o sapato na esteira e fazer a contratação de mais trabalhadores. E claro, discutir a recompensa disso para eles. Ambos devem lucrar, indústrias e trabalhadores”, finalizou.