Nelise Luques
O empresário e pecuarista Agenor Gado é presidente da APAE de Franca desde 2017 e encerra seu segundo mandato neste ano. Com apoio da diretoria e funcionários, conseguiu recuperar a saúde financeira da instituição. Enxergar a APAE como uma empresa e implantar uma gestão profissionalizada contribuíram para os resultados positivos.
A APAE está prestes a realizar mais um tradicional evento na cidade. O Leilão Show – Um Lance de Amor acontece na próxima sexta-feira, dia 10 de junho, e vem sendo organizado envolto de grandes expectativas.
Os recursos arrecadados com essa edição vão contribuir para equilibrar o orçamento anual da instituição, que supera os R$ 13,3 milhões, e ajudar a garantir o atendimento prestado atualmente a mais de 1200 pessoas. A APAE conta com mais de 330 funcionários e presta serviço de excelência em três áreas fundamentais: Saúde, Educação e Assistência Social.
Em entrevista ao Verdade, Agenor Gado detalha o novo formato do Leilão, as atrações do evento, os trabalhos desenvolvidos pela APAE e destaca a necessidade e importância de uma contribuição maior do Poder Público nos recursos repassados à instituição. Agenor afirma que se a participação fosse maior, aliviaria a carga da instituição, que não dependeria tanto dos eventos para controlar os déficits.
Agenor, o Leilão Show – Um Lance de Amor, no próximo dia 10, será em novo formato e acontece em um momento marcante, que são os dez anos do Leilão “União de Forças” e 52 anos da APAE Franca. O que motivou a reformulação do evento?
Nós fizemos um leilão no ano passado em novembro, não é a data tradicional do evento, porque nós temos a Festa di San Gennaro em setembro, então fica muito próximo um do outro. E para ajustar essa data, para trazer para maio ou junho, a gente resolveu fazer um leilão diferente um pouco, menor. Com isso, o que nós vamos fazer? Nós estamos fazendo um jantar, porque nossos leilões sempre são à tarde, começam ao meio-dia e seguem até o final da tarde. Mas neste ano vamos fazer um leilão menor. Por que menor? Porque muitos que estiveram e arremataram prendas no evento que realizamos no mês de novembro do ano passado ainda continuam pagando porque optaram pelo pagamento de até dez parcelas. E aí, para completar esta edição, a gente resolveu trazer um show também, com esse trio maravilhoso, que é Diego Figueiredo, Margareth Menezes e Sandra Sá, para fazer um evento diferente.
É um formato novo, o pessoal está empolgado com o show e as novidades do evento. Como estão as suas expectativas que já viveu a experiência de tantos outros leilões?
A expectativa sempre é a melhor possível. Por natureza, eu sou otimista e a gente está trabalhando bastante para conseguir encher a casa e ter boas prendas para serem arrematadas. O buffet é de primeira, com a Elis e com o Sérgio, vamos ter comida farta, bebida farta, uísque, cerveja, vinho, espumante, refrigerantes, sobremesa, que vão ser servidos durante a noite toda. E vamos iniciar com o jantar, depois o leilão e mais no final da noite vamos ter um show de duas horas e meia praticamente. Eu digo o seguinte: nós temos algumas mesas para vender ainda, quem não comprou, aproveite porque esse vai ser um evento único.
Este será o décimo ano do Leilão “União de Forças”. Como nasceu a ideia de realizar um leilão para complementar orçamento da APAE?
Franca, mesmo a APAE daqui, não acreditava na possibilidade de fazer um leilão, porque Franca não tinha tradição nenhuma de realizar leilões. E a diretoria, que na época tinha o Sandrin como presidente, eu era vice-presidente dele, deu essa credibilidade a esta modalidade de evento e foi muito bom. E durante a gestão do Sandrin, foram realizados os leilões. Nesta gestão, a gente está fazendo o décimo leilão. Todo ano a gente chama novos embaixadores, quem é embaixador uma vez continua sendo embaixador dos leilões seguintes. É lógico que muitos não conseguem estar conosco em todas as edições, mas convidamos a todos e esse ano a gente pretende homenagear os embaixadores que foram os fundadores do nosso leilão. São as pessoas que iniciaram, que deram credibilidade para o leilão, foram a Luiza Helena, o Rizatti, o Mário Roberto e o Toni Salloum. São dez anos de história e a gente está fazendo homenagem para esses quatro que deram apoio e continuam dando também.
Sim, e os recursos arrecadados neste leilão terão que destino?
Nós temos um orçamento na APAE que ultrapassa R$ 13 milhões por ano e 30% nós temos que arrecadar com doações, o telemarketing, Empresa Apaexonada, San Gennaro e o leilão. Basicamente esses recursos são para custeio. Alguma parte a gente aplica também nas reformas, mas basicamente nós temos uma necessidade de captar R$ 3 milhões por ano para que tenha um equilíbrio de caixa e não tenha nenhuma dificuldade na administração. E, felizmente, durante a nossa gestão, que eu estou no sexto ano, terminando o meu mandato, a gente conseguiu ter as contas equilibradas. Quando nós assumimos, nós tínhamos déficit, nós tivemos uma dificuldade grande no início, mas felizmente depois de seis meses a gente conseguiu sanar os débitos, regularizar o salário dos funcionários que estava atrasado, hoje eles estão recebendo nos seus vencimentos. Porque são profissionais que têm a necessidade básica, de pagar as suas contas, de viver dignamente, então nós não podemos tratá-los de outra maneira. A maneira correta é que a gente pague no vencimento; eles prestam um ótimo serviço porque o objetivo principal aqui é que a gente preste um serviço de qualidade para os usuários nas três áreas, que é da Saúde, na Educação e na Assistência Social. Nós da diretoria somos todos voluntários, a gente doa o nosso tempo para esse trabalho. O Poder Público poderia ajudar mais, para não ficar uma carga tão grande para a APAE conseguir recursos. Recebemos repasses do município, do Estado e da União, mas o ideal é que fosse uma porcentagem maior para não dependermos tanto dos eventos.
A APAE de Franca tem mais de 330 funcionários, se assemelha a uma grande empresa. Como é a gestão de uma entidade desse porte?
É uma empresa, nós temos um painel aqui chamado “Gestão à Vista”, onde apresentamos projetos e investimentos, tudo aqui é muito transparente. Nós convidamos as pessoas para conhecerem a APAE, porque eu falo sempre que poucos conhecem a APAE de Franca, a qualidade da APAE, o tamanho, o serviço que ela presta. Então, a gente vinha fazendo um serviço antes da pandemia, convidando os empresários, as pessoas para tomarem um café da manhã conosco, mas com a covid-19 precisamos interromper as visitas, só que a gente vai retornar para que Franca e a região saibam da qualidade da instituição que é a nossa APAE.
Agenor, você citou um ponto que eu gostaria de resgatar. Anos atrás a gente via dificuldades da APAE inclusive para pagar em dia o salário dos funcionários. Como vocês conseguiram recuperar a saúde financeira da entidade?
Nelise, tem duas coisas para você resolver essa questão. A primeira é que você tem que reduzir custos. Então, a gente fez uma redução de custo possível, sem praticamente dispensar funcionários. E a segunda é aumentar a receita. E sempre ter um cuidado para que as despesas não extrapolem a receita. Então, essa é uma preocupação constante. E a gente está conseguindo fazer isso.
É a regra básica da administração financeira sendo bem aplicada?
Bem aplicada!
Um outro ponto é sobre a Festa Di San Gennaro. Como o leilão, ela também é tradicional na cidade, mas acabou suspensa por causa da crise sanitária da covid. Neste ano ela vai voltar a ser realizada?
Volta, se Deus quiser. Voltamos em setembro, na segunda quinzena, a gente já está pensando, já está planejando para que retorne com a San Gennaro, que é uma festa importante também para arrecadações e já está no calendário da cidade de Franca.
Falando em arrecadação de recursos, qual a expectativa com o Leilão Show, quanto vocês esperam?
A minha expectativa é que a gente consiga, em função do formato diminuído do leilão, porque normalmente são leiloadas de 80 a 100 prendas e neste ano vamos ter em torno de 20, 30 prendas, então eu acredito que a gente deve ter resultado em torno de R$ 300 mil. Temos prendas interessantes, como um Fusca ano 67, na cor bordô, geladeiras, televisores e uma mesa cervejeira. Neste ano, contaremos novamente com toda a experiência do Adir do Carmo Leonel, que é o mentor dos leilões realizados pelas APAEs, e do leiloeiro Alexandre Moherdaui Barbosa.
Mas os outros chegavam a quase R$ 1 milhão de arrecadação, é isso?
Sim. Na média sempre foi R$ 700 mil, R$ 800 mil. O último foi em torno de R$ 800 mil. Estamos com uma margem menor dessa vez em função de estar ainda um pouco próximo a novembro, do último leilão, que nós realizamos de ano em ano. Então, ficou próximo, ainda tem pessoas pagando os arremates do mês de novembro e vai ter um uma arrecadação menor, mas em função da pandemia, a gente acabou tendo que fazer esse formato diferente. No ano passado realizamos em novembro, no segundo semestre, porque foi necessário adiar, por conta da pandemia.
Agenor, você também comentou sobre as três áreas que a APAE atende, que não é apenas a da saúde. Há atendimentos na Educação e Assistência Social. Inclusive, a APAE de Franca tem uma escola de educação especial. No seu ponto de vista, qual a importância de abarcar essas três áreas nos projetos e serviços da instituição?
Olha, o objetivo da Saúde é que os nossos usuários consigam frequentar tanto a escola quanto a assistência social, para ter o maior conforto em termos de saúde, uma área muito importante dentro da instituição. Nós temos o atendimento precoce, que são os primeiros anos de vida em que as crianças são atendidas e isso ajuda muito. E a APAE, além de ter uma educação que a gente procura cada vez mais melhorar, atua na área da assistência social, a gente prepara os alunos para o mercado de trabalho. Nem todos sabem, mas a APAE tem esse cuidado, coloca esses meninos, essas meninas no mercado de trabalho e acompanha, a assistente social acompanha todos eles dentro das empresas. E a gente está focando bastante agora nesse trabalho para que consiga ter cada vez mais jovens empregados, que é uma necessidade, é uma inclusão. A gente faz isso na educação também, os meninos, os estudantes que são preparados, o ensino regular absorve, a gente tem esse objetivo claro também.
Qual a importância desse trabalho de inclusão? Imagino que seja para o aluno e para a família uma transformação de vida.
Sim, para a família e para ele, para satisfação pessoal dele, nós temos casos de quem já comprou uma casa com o seu salário, que é uma maravilha, é um sonho realizado. Então, um dos grandes objetivos nossos é esse, temos uma equipe agora trabalhando nesse sentido, focada para conseguir expandir essas colocações no mercado de trabalho o máximo possível. Eles estão trabalhando em supermercados, lojas, indústrias.
Agenor, como foi o período mais crítico da pandemia para a APAE e como vocês se ajustaram neste período?
É, a pandemia foi um momento bastante difícil para todos nós, todos nós empresários, funcionários e para a APAE não foi diferente. No início da pandemia me perguntaram: ́nós vamos voltar daqui a três meses?’. Eu falei: ‘não sei se vamos voltar daqui a três meses aqui’. Era tudo totalmente incerto, mas nós fomos nos adaptando e os atendimentos foram remotos, tanto na educação quanto na assistência social. Fez-se um trabalho bastante importante, acho que as educadoras por exemplo tiveram o serviço dobrado, tiveram que gravar vídeos, tiveram que atender sempre algumas dificuldades, auxiliando sempre as famílias ligando para elas. Foi um momento em que elas trabalharam muito. E na saúde se atendeu dentro do que foi possível. Mas nós não paramos, durante a pandemia a APAE não parou, ela continuou atendendo. E para auxiliar as famílias que tinham maiores dificuldades com alimentação, a gente fez uma grande feijoada na época, vendemos acho que em torno de três mil porções para comprar cestas básicas exclusivamente para essas famílias, não era para usar nada dentro da instituição. A gente fez lives também pedindo alimentos para as famílias, nós doamos mais de 3,4 mil cestas básicas no período da pandemia em 2021.
Agenor, vocês está no segundo mandato como presidente da APAE. Como surgiu a sua relação com a entidade?
Eu fui convidado para participar da San Gennaro e logo acabei assumindo a barraca do porco no rolete. Isso faz uns vinte e poucos anos já. E depois me chamaram para integrar o Conselho e eu estive no Conselho um tempo, depois a Maria Ignêz (Archetti) era a presidente da APAE, ela era casada com o Ary Balieiro e ele assumiu a prefeitura como vice-prefeito na época e ela não podia mais continuar como presidente. Aí ela acabou me convidando para ser presidente da APAE. Eu falei: ‘Como é que é?’. Falei: ‘Me dá um dia para eu pensar’. Foi de manhã cedo, eu me lembro, e à tarde já liguei para ela, falei o seguinte: ‘Olha, presidente eu não aceito. Eu aceito ser vice se o presidente que você escolher me aceitar’. E aí ela convidou o Sandrin e ele assumiu como presidente. Eu fiquei como vice, realizamos um trabalho bacana. O Sandrin foi um parceiro, um amigo, a gente trabalhou junto e conseguiu muita coisa na época para a APAE.
Foi um test drive?
Foi. Porque eu entendi que não estava pronto para ser presidente, assumir uma função que eu não estava preparado, não conhecia a APAE o tanto quanto que eu entendo que deveria conhecer para assumir esse cargo. Depois eu saí com a eleição do Erismar Tanja para presidente e na época eu assumi a Lasep, depois eu fiquei também na diretoria da APAE de Patrocínio Paulista e no final do mandato dele, praticamente no final, me convidaram e eu assumi a presidência, aí eu entendi que eu estava preparado para assumir.
Neste período como presidente, qual você acha que foi o seu maior desafio?
Olha, Nelise, quando eu convidei os amigos, as pessoas que eu entendi que deviam compor comigo a diretoria executiva, o Conselho, a gente convidou pessoas que pensam um pouco igual a gente pensa, que se doam para a causa, porque sozinho você não faz nada, você tem que ter uma equipe. Eu sempre falo assim que não precisa só da diretoria executiva estar presente ajudando, pode ser a diretoria do Conselho, o Conselho Administrativo, o Conselho Fiscal, todo mundo pode ajudar, pode colaborar, não tem esse ciúme não, que é só o presidente que pode fazer, que pode aparecer, pode aparecer todo mundo. E assim nós estamos conseguindo realizar um bom trabalho, porque a gente reformou muito a instituição, a administração. Quando nós assumimos aqui, a gente falou que ia fazer uma gestão de uma empresa privada, profissional. Eu lembro que algumas pessoas se assustaram um pouco aqui dentro. E a gente trouxe a Fundação Dom Cabral, que está conosco já há praticamente quatro anos e meio, isso tem nos ajudado bastante também. No início foi difícil para reorganizar, quando assumimos a APAE tinha aqui um espaço arrendado, fora da APAE, aqui na frente, uma das primeiras coisas foi parar, fechar, diminuir gastos e fomos ajustando. Os desafios são constantes, felizmente não tivemos maiores problemas durante a gestão e eu espero que a gente termine assim, sem maiores problemas, porque nós presidentes somos responsáveis por tudo que acontece na instituição, tudo que se assina aqui, tudo é responsabilidade nossa. Por quê que a gente está aqui? Porque, assim, até emociona um pouco (pausa), na minha família não tenho ninguém com comprometimento de saúde, dentro da área que a APAE atende, mas eu acho que Deus escolhe as pessoas para assumirem certas funções, em certos lugares e quando a gente assume é gratificante, ocupa a gente bastante, porque eu tenho também os meus negócios e eu fico me dividindo com a APAE e com os meus negócios, mas é gratificante. A relação com os funcionários é muito boa, com os meninos também, a gente anda aqui dentro, todos são muito carinhosos com a gente, chamam pelo nome, chamam de presidente, então é gostoso isso também.
Você já comentou de um evento que foi marcante na APAE, quando você se juntou aos alunos e se sentou com eles no chão da quadra da instituição. Como foi esse momento?
Foi durante uma ação do Trote Solidário do Uni-Facef e os meninos estavam todos sentados, aí o José Alfredo (reitor do Centro Universitário) me chamou lá no palco e eu falei um pouquinho, aí o Toninho Salloum estava comigo e estava todo mundo sentado no chão, usando uma camiseta azul e eu estava com a camisa amarela, aí eu me sentei no meio de todos eles, foi um momento bacana aquele. Quando você está no palco e as pessoas estão lá embaixo, parece que você é superior a eles, quando você se senta com eles, não é superior coisa nenhuma, você é igual a eles ou até menor, não é?
A diretoria da APAE é voluntária, mas os cargos que ocupam exigem muita dedicação, responsabilidade e comprometimento. Agenor, como você concilia a vida profissional e pessoal com a presidência da APAE?
Olha, além da APAE, eu estou até em outras instituições, mas não é o caso de falarmos sobre isso, porque o trabalho maior é aqui. O tempo é a gente que ajusta, organiza as nossas agendas, então, quando nós temos um evento maior igual ao leilão, a gente desfoca um pouco da empresa e foca aqui. Depois que passa isso, como está tudo muito bem organizado, a gente tem mais espaço para cuidar da empresa.
Seu segundo mandato como presidente da APAE Franca termina neste ano. Como fica seu futuro na instituição?
Pelo estatuto, eu não posso continuar como presidente, nem como vice, nem como diretor financeiro. Posso ser diretor social, diretor de patrimônio, posso ficar no Conselho, então eu permaneço no Conselho Consultivo, que é formado pelos ex-presidentes. O Toninho deve ser o próximo presidente, eu entendo que ele está mais preparado, felizmente é uma pessoa que, não falando dos demais, mas que está mais próximo comigo e mais preparado. E se ele me convidar para alguma função, eu estou à disposição. Graças a Deus, eu acho que eu realizei bastante já.
Agenor, mais alguma informação que você gostaria de acrescentar?
Nós realizamos muitas obras durante a nossa gestão aqui. A do administrativo é uma delas, que ficou excelente. Vários blocos foram reformados, estamos acabando de construir quatro novas salas para assistência social. E um dos desejos meus é que antes de encerrar o meu mandato a gente tenha construído o jardim sensorial. Uma vez, vendo o jornal da Feapaes, da qual eu sou vice-presidente, uma das APAEs tinha esse espaço, esse jardim sensorial e a gente se inspirou. A ideia é fazer um jardim com flores, com plantas de perfumes marcantes, com água em movimento, com barulho de água, um espaço para os meninos andarem dentro do jardim, com pisos diferentes, para eles andarem descalços. Já temos o espaço onde vai ser feito, o projeto já está pronto e é maravilhoso.
