O presidente do Ciesp, Rafael Cervone, ministrou nesta sexta (13) em Franca, a palestra Macrotendências Mundias até 2040, que se baseia em 300 bancos de dados. Cerca de 50 empresários da região de Franca participaram do evento.
O estudo apontou, dentre outras coisas, que o Produto Interno Bruto (PIB) no mundo deve ter um salto de 70% até 2040 e que regiões da Ásia e África devem ser as que mais terão aumento no seu poder de consumo. Os dados mostram que o poder aquisitivo irá crescer no período e que 5,3 bilhões de pessoas poderão estar no patamar de classe média.
Cervone ressaltou ainda, em sua palestra, que recebeu 36 embaixadores e cônsules estrangeiros na sede do Ciesp em São Paulo e que o tema sustentabilidade e emissão de carbono foi unanimidade em suas reuniões, demonstrando a importância do assunto para a viabilização de negócios da indústria brasileira com o mundo. O consumo de energia não renovável, como petróleo, por exemplo, deve passar por uma queda brusca, abrindo caminho para novos negócios na área de energia renovável.
Durante a palestra o presidente falou também sobre as demandas que surgirão na área de transportes e infraestrutura, já que há uma tendência para o surgimento de cidades inteligentes com o uso de energia renovável e redução no desperdício de água e energia.A urbanização deverá voltar a crescer no pós-covid, especialmente em relação às cidades de médio porte.
Cervone destacou ainda pontos sobre a indústria 4.0, com o largo uso de drones, robôs e impressoras 3D, com produtos customizados por encomenda. Na mesma linha, ele lembrou sobre a importância de projetos na área de segurança cibernética e sobre a formação de mão-de-obra especializada em Tecnologia da Informação.
“Hoje nós temos tido falta de profissionais da área da TI. Empresas internacionais estão contratando nossos profissionais e pagando em moeda estrangeira. A região de Campinas tem perdido mão-de-obra para o Canadá, enquanto a Grande São Paulo tem perdido profissionais para os EUA e União Europeia, por exemplo”, disse. Projetos e formação de mão-de-obra estão em andamento em parceria com o Senai para apoiar a indústria neste sentido.
O estudo aponta ainda um aumento de 77% da população idosa no período, o que implicará em crescimento dos investimentos na área da saúde, seja para diagnósticos mais interligados e inteligentes, como para o desenvolvimento de vacinas e medicações, além de novos tipos de diagnósticos.
O Ciesp Franca abrange 19 cidades e forma a macrorregião junto ao Ciesp Sertãozinho e Ciesp Ribeirão. O estudo regional do Ciesp, com base em dados do IBGE até 2019, mostrou que as indústrias de couro, calçados e metalurgia tiveram queda na região de Franca, mas de forma mais amena do que no estado.
Entre as indústrias que sofreram queda no estado, mas tiveram crescimento na região de Franca, destaca-se máquinas e equipamentos, borracha e plástico, produtos de metal e alimentos.
No caso da indústria química, com cosméticos, e de produtos diversos, com vassouras, escovas e pinceis, o crescimento foi muito mais significativo na região de Franca do que no estado de SP.
“É importante que as regionais do Ciesp e indústrias se unam às prefeituras que podem ter acesso aos dados mais específicos que o IBGE tem. É fundamental uma análise de potencial de desenvolvimento regional, identificando atividades, oportunidades e propondo um trabalho em conjunto entre os municípios, sem competição, mas com inteligência e um projetos onde indústrias se complementem”, disse Cervone.