Franca confirmou 619 casos de dengue entre janeiro e março deste ano. O número apresenta um aumento brutal em relação ao mesmo período do ano passado; quando a cidade registrou 34 casos positivos. As confirmações da doença causada pelo mosquito Aedes aegypti já ultrapassam o total registrado ao longo de todo ano de 2021; quando o município teve 221 contaminações por dengue. Na tarde desta terça-feira (22), a Vigilância Epidemiológica recebeu notificação sobre a morte por dengue de uma mulher de 37 anos. O caso será avaliado pelo médico da unidade para conclusão do laudo.
Caio Carvalho, diretor da Vigilância em Saúde do município, afirmou que a escalada da doença se deve ao alto índice de subnotificações ocorridas no ano anterior. “Infelizmente, em 2021 o foco continuou na Covid e grande parte dos casos ficou subnotificada. Como os sintomas do coronavírus e da dengue são parecidos, tudo foi investigado como Covid. Neste ano, orientamos os médicos a se atentarem às suspeitas de dengue e solicitarem exames de sorologia”.
Outro fator que colabora para a “explosão” da dengue em 2022 é a questão climática. Diferente do primeiro trimestre em 2021, entre janeiro e março deste ano choveu acima da média em Franca e tiveram dias com temperaturas elevadas. A combinação de chuva e calor favorece muito a proliferação do mosquito Aedes aegypti, que procria em água parada. “A fêmea bota os ovos e após três dias hidratados, viram larvas e depois de mais quatro dias ficam alados e podem picar, então a chuva exacerbada e calor intenso favorecem a reprodução do mosquito”, explicou Caio.
Diante da alta incidência de dengue em Franca, a Prefeitura convoca a população para ajudar na guerra contra o mosquito transmissor da doença e impedir que se prolifere. O primeiro passo, orienta Caio Carvalho, é se autofiscalizar e reservar alguns minutos do dia para verificar água acumulada em recipientes expostos ao tempo em quintais, garagens e dentro dos imóveis.
Outra ação importante nesse combate é autorizar o trabalho dos agentes da Secretaria de Saúde feito diariamente nas residências. “A recusa ainda é muito alta, cerca de 45% das pessoas não permitem a entrada dos agentes em suas casas. Mas eles orientam a evitar a formação de criadouros e auxiliam na eliminação dos mesmos. Eles sempre se apresentam uniformizados e com crachás de identificação”, afirmou Caio.
É importante se atentar aos sintomas mais comuns da dengue clássica: febre alta, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, perda de paladar e apetite, manchas e erupções na pele especialmente no tórax e membros superiores, vômito e cansaço extremo. Na dengue hemorrágica, o quadro se agrava rapidamente, apresentando sinais de insuficiência circulatória e choque, podendo levar a pessoa à morte em até 24 horas.