A demora para atendimento no setor de urgência/emergência, a dificuldade para agendar consulta com médicos especialistas e a “inexperiência” dos plantonistas têm gerado reclamações por parte dos conveniados da Unimed Franca.
No começo deste ano, Pedro*, de 52 anos, apresentou sintomas gripais e achou mais seguro passar por avaliação médica no plantão da Unimed. Ele afirma que fez teste de Covid-19 no hospital e deu positivo. No primeiro atendimento, o médico receitou antitérmico, analgésico e xarope expectorante. Pedro* não sentiu melhora em seu estado de saúde, mas pelo contrário, percebeu que os sintomas foram ficando mais intensos. “Tive calafrios, febre, dor no corpo e a tosse foi piorando. Então eu voltei ao plantão, porque a gente vê que a Covid pode agravar de uma hora para a outra. Mas quando eu passei pelos médicos, que a gente sabe que é recém-formado, eles só me falavam que eu tinha que tomar dipirona e vitamina, que Covid é tratada assim, que não usa antibiótico. Mas eu não me conformei porque eu não estava bem de jeito nenhum”.
Pedro* afirma ter passado pelo atendimento de urgência e emergência pelo menos seis vezes em uma semana. Ele disse que clamou aos médicos para solicitar exames e rever as medicações, porque percebia que era preciso mudar o tratamento. “Eu falava que precisava ver o que estava acontecendo, porque eu não estava bem. Com os dias, no lugar de melhorar, eu piorei muito. Graças a Deus, eu lembrei de um amigo que estudou comigo e é médico. Liguei para ele, expliquei meu caso e ele me ajudou, me salvou”, disse, emocionado.
Segundo Pedro*, ele solicitou exames detalhados que apontaram que 40% de um dos pulmões estava comprometido. “Ele me receitou mais medicamentos, inclusive antibiótico e eu fui me recuperando. Ainda sinto dores, mas estou bem melhor. Se não fosse um médico amigo meu, agora eu estaria intubado no hospital, ou no cemitério”.
A jovem Juliana*, 40, afirma que também enfrentou problemas no plantão quando o pai precisou de atendimento. “Passamos raiva quando meu pai teve dengue e os médicos do plantão não tomaram atitude, por sorte uma médica conhecida nossa nos atendeu e aí fomos corretamente orientados. Se não fosse ela, meu pai poderia ter piorado. O plantão de lá é muito ruim, daqueles que a gente só passa raiva e só tem que ir em caso extremo mesmo”.
Um casal e a filha de apenas dois anos e quatro meses, conveniados da Unimed Franca, enfrentam uma verdadeira saga desde o dia 3 de janeiro deste ano para conseguir atendimento médico para a criança.
No começo deste mês, eles não conseguiram consulta com o pediatra dela, isso só seria possível se houvesse alguma desistência para serem atendidos. Como a criança estava com sintomas fortes de gripe, eles decidiram levar no pronto atendimento do hospital, mas desistiram de ser atendidos. “Nós deparamos com o salão de espera muito cheio, muita gente reclamando da demora e até pessoas discutindo com funcionários. A reclamação era de que havia poucos consultórios ativos, poucos médicos atendendo e muita gente esperando. Vi muita gente chegando e indo embora. Nós fomos umas dessas pessoas. Por sorte teve uma desistência e o pediatra dela pode atender”, relata o pai.
A filha ainda passou outras duas vezes pelo plantão; na terceira, os pais disseram que chegaram às 21h30 e saíram só à 1h30, quatro horas depois. Após a consulta com o pediatra, eles tinham direito ao retorno, o que não conseguiram uma semana depois, pois ela não melhorou e se queixava de dor no ouvido. Eles acionaram o Uniagende, que não conseguiu consulta para o mesmo dia. “Passamos pelo plantão novamente. Outra guia, outra receita. No dia seguinte, pelo Uniagende, conseguimos um otorrinolaringologista que nos atendeu. Após uma semana e término dos remédios, ela piorou e precisamos de retorno no otorrino, mas outra vez não puderam nos atender porque o médico viajou. A Uniagende não conseguiu outro especialista. Mais uma vez no plantão. Mais remédios, mais guias”.
A família se queixa que além do pronto atendimento, com frequência, encontram problemas quando há urgência de passar por consulta com um especialista ou mesmo com o médico de costume. “Numa situação onde precisamos do médico que já tem o histórico do paciente, raramente conseguimos consulta. A Uniagende sempre diz que não tem vaga, mas indica passar pelo plantão para encaminhar para o especialista, ou seja, tem ou não tem vaga, ou só é um meio de arrecadar guias?”.
O caso se arrasta desde o começo do mês, a filha já se tratou com dois antibióticos e mais cinco medicamentos diferentes, mas não se resolveu. “Sentimos uma insegurança muito grande. Por pagarmos um plano, esperamos ter um atendimento um pouco melhor que a rede pública. Buscamos a segurança de um bom atendimento e rápido”, afirmou o pai.
A assessoria de imprensa da Unimed foi procurada pelo Verdade para se posicionar sobre as reclamações e comunicar eventuais medidas que estão sendo tomadas para evitar situações como as narradas pelos entrevistados, mas até o fechamento desta reportagem, não respondeu os questionamentos.
Segundo o diretor do Procon de Franca, Luis Murari, para reclamar do atendimento o consumidor pode recorrer ao Procon ou ainda a ANS (Agência Nacional de Saúde). “Por regra, a empresa tem que oferecer o número suficiente de profissionais para prestar o atendimento para a demanda de conveniados. Mas pode haver situações como a atual, de escassez de profissionais, por exemplo, que eventualmente têm Covid e precisam se afastar, mas é preciso ter coerência por parte do convênio para que a demora e filas não extrapolem o razoável”, explicou Murari.
(*nomes fictícios, para preservar a identidade do pacientes)