Fernando Lima
Os servidores do setor da saúde de Franca, rejeitaram a proposta da prefeitura de diminuir um dia de folga na escala dos profissionais, alterando o modelo existente há décadas.
“Hoje alguns profissionais trabalham seis dias na semana e folgam dois, a prefeitura quer tirar um dia de folga, então seriam seis dias trabalhados e apenas um de descanso. No caso de quem faz plantão de 12 por 36, tem uma folga, eles querem retirar ela”, explicou Marisol Silvério, vice-presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Franca.
Ela explicou ainda que os profissionais da categoria estão esgotados porque trabalham em um ritmo intenso há praticamente dois anos por conta da pandemia. “É um cansaço físico, mas também psicológico. Nós vimos amigos adoecerem, nós vimos amigos morrendo com essa doença e mesmo assim não podemos parar, afinal estamos na linha de frente do combate a Covid-19. Precisamos dessas folgas para pelo menos descansarmos da forma correta ao qual nós temos direito. Todos os servidores da saúde estão esgotados, sobrecarregados e ninguém mais consegue fazer hora extra, está insustentável”, completou.
A profissional que também atua na saúde, explicou que diferente de outras cidades, os profissionais da saúde de Franca não receberam incentivos, abonos, ou nada parecido desde quando a pandemia teve início, o que causa ainda mais revolta na classe, que se reuniu em assembleia esta semana e decidiram por não acordar com a proposta de redução de folgas.
A Prefeitura justifica que o modelo atual é inconstitucional, o que não convenceu os servidores. “A Guarda Civil Municipal tem esse tipo de escala diferenciada, tudo é feito através de acordos coletivos, existe essa liberdade de negociar. Nós não vamos aceitar, estamos esgotados, vamos bater o pé, porque eles não oferecerem ao menos uma contrapartida”, finalizou.
O atual modelo segue até o mês de dezembro deste ano, caso as mudanças sejam impostas, elas entrarão em vigor em 2023.
Para o presidente do sindicato, Luis Fernando Nascimento, faltam funcionários no setor da saúde para atender a grande demanda dos últimos meses. Na avaliação dele, as últimas contratações realizadas estão longe de serem suficientes. “Fizeram o chamamento de 80 profissionais, mas é pouco. Os servidores não aguentam mais fazer hora extra, tem que contratar mais gente, os trabalhadores da saúde estão acumulando funções, se desdobrando e agora veio essa proposta de abrir mão de um acordo coletivo que já está assinado. Não vamos aceitar e vamos exigir o cumprimento do acordo coletivo já assinado”, finalizou o presidente.
Em nota ao Jornal Verdade, a Prefeitura de Franca se limitou a dizer que não está deixando de cumprir acordo com funcionários, mas não responderam a respeito da proposta que foi feita aos servidores e a repercussão que ela teve diante à categoria.