“Moradias” improvisadas são flagradas em diversos pontos de Franca. A larga calçada em uma das laterais da antiga Estação Mogiana, na Avenida Integração, é tomada por colchões, barracas de camping ou feitas com tapumes. Em especial quando anoitece, os “moradores” do local se enfileiram lado a lado.
Em outra avenida, bastante movimentada, a Paschoal Pulicano, no ponto de encontro com a Rio Branco, situação semelhante. Um grupo de pessoas montou uma barraca com plástico e divide o “abrigo”, que obstrui a passagem na calçada.
Sob o pontilhão da Rua General Telles, na Avenida Hélio Palermo, um barraco feito com troncos de árvore, lona, lençóis e papelão também virou moradia de uma família há algumas semanas.
Em outra região, o cenário se repete. Há meses, pessoas em situação de rua e cachorros vivem sob a marquise de um cômodo de comércio desocupado na Vila Chico Júlio, na esquina das Ruas Antônio Bernardes Pinto e Rua Joanita Alves Cardoso Toledo.
A situação tem incomodado e gerado reclamações de moradores e comerciantes, além de motoristas e pedestres que costumam ser abordados com pedidos de dinheiro.
Apesar de haver sensação de que há mais pessoas em situação de rua em Franca, a Secretaria de Ação Social informa que não há registro de aumento dessa população e trabalha com dados atualizados em janeiro deste ano. À época, doze meses atrás, o Cadastro Único registrava 519 pessoas em situação de rua.
A Prefeitura afirma que oferece a elas atendimento no Abrigo Provisório, Casa de Passagem e o Programa Dignidade, lançado no primeiro semestre. “Com o Programa Dignidade os serviços já existentes foram reorganizados, o Espaço Dignidade adequado às exigências legais, assim como acrescidos do início de três novos serviços: Serviço de Acolhimento em pernoite para 40 pessoas, Serviço de Abordagem Social para 50 pessoas/dia e do Projeto Piloto de “Moradia Primeiro”, que possibilitou a retirada de 44 pessoas das ruas”.
A Secretaria de Ação Social alega ainda que tem estrutura para atender todas as pessoas em situação de rua, mas algumas não conseguem “se manter nos serviços devido ao uso abusivo de álcool e outras drogas”. A promessa é ampliar a rede de atendimento a esse público em 2022.
As medidas são importantes, mas parecem longe de solucionar ou ao menos amenizar o problema de forma eficaz. Enquanto isso, a população enfrenta preocupação e receio e centenas de pessoas continuam marginalizadas.
O Serviço de Abordagem Social pode ser acionado pelo telefone e WhatsApp (16) 99965-6571.

Veículos transitam pela Avenida Paschoal Pulicano ao lado de barraca montada na calçada