Fernando Lima
A atual Presidente da Comissão Estadual da Mulher Advogada, da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP), Myrian Ravanelli, concorre ao cargo de Conselheira Titular da OAB Federal, em Brasília. É a primeira vez que uma advogada (o) da Alta Mogiana é indicada para concorrer. A advogada foi nomeada ao pleito pelo grupo que concorre as eleições 2022/2024, capitaneado pelo Presidente da OAB SP, Dr. Caio Augusto Silva dos Santos.
A profissional sempre foi reconhecida na cidade e na região, por conta da atuação na causa da mulher, com pautas que visam combater principalmente a violência contra elas. Myrian falou com o Jornal Verdade a respeito da indicação ao cargo, o que isso representa para a cidade e também, as expectativas para uma eventual eleição.
J.V.- O que representa pela primeira vez na história, termos uma candidata do interior para o Conselho Federal em Brasília?
M.R.- Esta resposta não é tão simples, pois se levarmos em conta a grande responsabilidade que comporta o cargo, especialmente, para minha profissão e em especial para as mulheres, devemos analisar sob vários aspectos, desde o momento histórico que vivemos até a garantia de que no futuro isso não deverá ser visto como exceção. Portanto, tal responsabilidade representa anos de lutas, de estudos, de empenho de muito esperar que uma advogada do interior de São Paulo possa representar um grupo tão seleto e numeroso feito o nosso e que pela primeira vez na história de uma advocacia tradicionalmente masculina, uma mulher com minha origem rompeu essa barreira, é algo grandioso e especial.
Além disso, é uma homenagem, sem sombra de dúvida, a todas as mulheres que sonharam com isso no passado e que hoje sonham comigo, romper a barreira da invisibilidade, da indiferença e do preconceito e a falsa ideia, de que ainda existe algum lugar em que a mulher não possa estar, seja de onde vier.
J.V.- Como a cidade ganha com a sua possível eleição?
M.R.- Além da visibilidade desta honrosa missão, caso ganhe a eleição, minhas origens permanecerão comigo onde quer que eu vá, Franca me trouxe até aqui e não poderia deixar de pleitear qualquer ajuda ou benefício à minha terra, sendo em forma de cobranças ou de atuação direta, o assunto me dirá, estarei alerta às necessidades da cidade sempre que minha interferência puder contribuir, estarei presente e atuante nas pautas legítimas que sejam apresentadas em favor de meu Estado e de minha cidade de origem.
J.V.- Quais as suas expectativas para uma eventual eleição?
M.R.- Acredito que posso contribuir com toda a classe de advogados e advogadas, mas entendo também que o lugar de conselheira federal me aproxima não apenas de pautas profissionais, mas também de pautas que envolvam a cidadania, a democracia e a justiça social, me leva a um palco político onde o destino do país é discutido diuturnamente e, neste aspecto, a advocacia exerce um papel fundamental enquanto guardiã da democracia e de todos os princípios que buscam a preservação da dignidade humana.
Deste modo, além dos apelos da advocacia, minha missão enquanto cidadã me obriga a observar tais questões.
Logicamente, meu trabalho é, primordialmente, atendar aos anseios da advocacia, mas nada afasta as bases que construíram a mulher, a cidadã, a advogada e finalmente a conselheira.
Assim, sigo alinhada com meus pares, sempre cumprirei os compromissos institucionais, mas não deixarei para trás nenhum dos princípios que me trouxeram até aqui.
J.V.- O seu trabalho pelas mulheres sempre foi reconhecido em Franca e região. Isso será também a sua bandeira, caso eleita?
M.R.- A pauta da condição da mulher e da mulher advogada são minhas bandeiras, não apenas como campanha eleitoral, mas é uma pauta pessoal, enquanto houver qualquer violência, injustiça, desigualdade ou desequilíbrio que envolvam a temática feminina é preciso que muitas vozes e mãos se juntem para formar uma rede de proteção, estarei sempre à disposição das mãos que tecem essa rede.
É preciso observar que o nível de desenvolvimento de uma sociedade está profundamente ligado ao destino de suas mulheres, basta observar em sociedades mais ou menos desenvolvidas, como são tratadas suas mulheres para entender que não há formação social e desenvolvimento plenos sem que estas façam parte desta construção.
J.V.- O que tem a dizer para quem está nos acompanhando aqui no Jornal Verdade?
M.R.- Quero agradecer a oportunidade de trazer minhas ideias e expor sobre esse desafio que me é colocado nesta eleição para o Conselho Federal da OAB, espero de forma humilde e serena que eu possa cumprir minha missão nesta empreitada, mas sem deixar para trás nada do que sou, sei que não será fácil, mas se a luta é justa, lá é meu lugar.