Eduardo Ribeiro Guerra tem 26 anos, é formado em Direito, mas, como ele próprio afirma, foi pela Educação que se apaixonou. Mesmo tão jovem, já teve a oportunidade de comandar a Secretaria Municipal de Educação de Franca e hoje atua como Diretor Técnico na Assessoria Parlamentar e de Relações Institucionais da Secretaria de Estado da Educação.
Eduardo esteve à frente de uma das principais pastas da Administração Municipal quando o país enfrentou a pandemia da Covid-19. Acompanhou dificuldades, desafios e superações vividas pelos professores no momento que exigiu adaptações robustas e rápidas para, dentro das possibilidades, prosseguir com o ano letivo.
O Dia dos Professores é comemorado nesta sexta-feira, 15 de outubro, e Eduardo Guerra é o entrevistado do Jornal Verdade para tecer suas considerações sobre as dificuldades, avanços e propostas para a valorização dos educadores.
Comemoramos mais um Dia dos Professores neste 15 de outubro, na sua opinião, o que podemos exaltar na profissão?
Sem sombra de dúvidas hoje é uma data em que as homenagens rendidas são justas e merecidas, afinal são os professores que estão no chão da escola, na lida diária com os alunos, enfrentando todos os tipos de desafios, desde os educacionais até os sociais, sempre com dedicação e paixão pela educação. Na profissão docente é necessário sobretudo a capacidade de adaptação que os professores devem ter e a pandemia fez prova que essa qualidade, eles têm de sobra.
Na sua opinião, como a educação pode contribuir com a formação e desenvolvimento das pessoas e do país?
A escola é o primeiro núcleo social, depois da família, em que a criança é inserida, ou seja, ocupa um lugar de extrema importância no desenvolvimento do ser humano. Vale lembrar que a educação não se limita à instrução e formação conteudista do aluno e compreende também o desenvolvimento socioafetivo, do senso crítico, da autonomia e das habilidades e competências.
Para você, quais mudanças positivas e negativas têm sido verificadas no Brasil?
Neste contexto é preciso ressaltar que as dimensões continentais do Brasil trazem um cenário de diferenças nos índices educacionais dos estados, sendo necessário analisar cada estado, contudo é inegável que nas últimas décadas o Brasil aumentou o atendimento educacional, diminuindo a diferença para países de alto desempenho. A Educação Infantil, por exemplo, foi ampliada, já a taxa de matrícula nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental é quase universal e cerca de 80% dos jovens brasileiros cursam os anos finais, sendo mais da metade desses jovens seguem para o Ensino Médio. Porém, mesmo com evidências do crescimento do atendimento educacional do país, pois o Brasil ainda continua bem atrás quando se trata do desempenho dos alunos, isso porque, como já colocado, o sistema educacional brasileiro não oferta igualdade de condições aos jovens e crianças.
Quais são as maiores dificuldades ainda enfrentadas pelos professores?
No contexto atual, retomar o vínculo com os alunos após esse período de ensino remoto, e traçar estratégias pedagógicas para recuperação educacional dos alunos.
Que projetos ou ações você considera importantes para a valorização dos docentes?
Em primeiro lugar, é importante lembrar que a valorização do profissional da educação não passa somente por questões salariais, mas também, pela oferta de bons prédios escolares, de suporte administrativo e pedagógico, por programas que assegurem que os alunos estejam com qualidade dentro da sala de aula, pela empatia e cuidado dos gestores. Aos meus olhos, tudo isso é valorização do profissional da educação, já que sem esses pontos, de nada adiantam as questões salariais. Contudo, pontuo que, a nível municipal, a implementação de um plano de carreira justo que atenda as necessidades dos professores e da administração é uma excelente maneira de valorização destes profissionais.
A pandemia da Covid-19 impactou muitos setores e a Educação, podemos dizer, se destaca, afinal professores e alunos ficaram impedidos de frequentar as escolas e seguir com o plano pedagógico do ano letivo. Como avalia esse processo, afinal foi como trocar os pneus do carro em movimento, não é?
Exato, trocamos os pneus com o carro andando. Ninguém esperava pela pandemia, foi um cenário em que os profissionais da educação tiveram que se reinventar e se desdobrar para manter o atendimento dos alunos. Um ponto que notei é que há muito tempo se discutia sobre o Ensino Híbrido, contudo, com a chegada da pandemia, essas discussões não encontraram reverberação prática, visto que as escolas ainda não estavam equipadas, os alunos não possuíam equipamentos e/ou acesso à internet, muitos docentes não dominavam o uso de ferramentas digitais.
Enquanto secretário municipal de Educação em Franca, você viveu o período da pandemia à frente da pasta. Qual foi o seu maior desafio?
Foi um período de grande crescimento profissional e pessoal, poder contribuir com a minha cidade natal e os francanos em um momento tão importante, foi muito gratificante. Naquele momento, o maior desafio foi criar estratégias para o ensino remoto em prazo recorde, para não deixar os alunos desatendidos. E conseguimos, em quinze dias, os alunos estavam recebendo apostilas elaboradas pelo Centro de Formação.
Como recuperar os prejuízos gerados por essa fase?
Primeiramente garantir o retorno de todos os alunos às salas de aula, afinal, não há como se falar em recuperação se não tivermos todos os alunos presencialmente assistindo às suas aulas regulares. No mais, é preciso que cada Rede de Ensino, com suas particularidades, crie estratégias e planos de recuperação intensivos para seus alunos, em especial, aqueles que se encontram em anos de transição.
Os professores assumem vários papéis, muito além de ensinar, são amigos, psicólogos e pais, muitas vezes. Como abarcar todas essas funções sem comprometer, sem sobrecargas?
À nível de gestão, recomendo que os gestores escolares cuidem das tarefas de cada unidade, as dividam bem, reúnam-se periodicamente com seus professores buscando alinhar pontas soltas e fazer do trabalho diário o mais leve possível.
Que mensagem você gostaria de deixar para os professores neste dia?
Reiterar minha gratidão por ter sido secretário municipal de Educação de Franca e poder contribuir com a minha cidade e, agora, por poder contribuir com a educação estadual. Devo confessar que foi no direito que me encontrei, mas foi pela educação que me apaixonei e mais uma vez reassumir meu compromisso na luta por uma educação de qualidade para todas e todos.