Na contramão de regiões metropolitanas e outras cidades do interior do Estado de São Paulo, Franca e cidades da região vivem um boom imobiliário. Pesquisa recente realizada pelo Crecisp (Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de SP) confirma o aquecimento do setor e revela que entre julho e agosto deste ano a venda de casas e apartamentos usados cresceu 161% e a locação de imóveis registrou alta, com elevação de 29% dos contratos.
Para se ter ideia, em Ribeirão Preto, a mesma pesquisa apontou queda de 23,4% nas transações de venda e 29% de redução nos aluguéis de imóveis. Em Bauru, cenário semelhante, com retração de 15,71% nas vendas e queda de 60,29% nas locações. Em São Paulo, a comercialização de imóveis ficou 21,57% menor em agosto na comparação com julho e as locações subiram apenas 1,1%.
A pesquisa consolida dados informados por Franca e outras quatro cidades da região – Igarapava, Ituverava, Restinga e Rifaina. Para o presidente do Creci de SP, José Augusto Viana Neto, o bom momento registrado no setor imobiliário francano surpreende. “Constatamos que houve queda no número de imóveis transacionados nos grandes centros e em Franca aumentou, e aumentou exponencialmente, acredito que pelo aquecimento da economia e melhora nos índices de geração de emprego nas indústrias”, afirmou.
Viana ainda atribui a aceleração a um provável movimento migratório durante a pandemia da Covid-19 que mudou o modelo de trabalho. “As pessoas de São Paulo, Campinas e São Paulo passaram a trabalhar em home office, podendo estar fora das empresas onde atuam, e acredito que se mudaram de cidade, priorizando uma melhor qualidade de vida. Franca tem muitas características positivas e também preço de imóveis mais acessíveis, o que contribui para que seja escolhida para essas pessoas morarem”, disse o presidente do Creci, que projeta a continuidade e até maior aquecimento no mercado imobiliário.
Segundo a pesquisa realizada pelo Crecisp com 27 imobiliárias de Franca e municípios vizinhos, 55,56% dos imóveis vendidos custaram até R$ 400 mil e foram comprados com financiamento bancário (53,33% do total). Os compradores preferiram casas localizadas em bairros de regiões centrais (66,57%) e de padrão construtivo médio (58,33%). As vendas distribuíram-se igualmente entre casas e apartamentos, com 50% de participação cada.
Já os imóveis mais alugados em agosto nas cinco cidades têm aluguel mensal de até R$ 1.000 – 50% do total – e 80% têm padrão construtivo médio. Os novos inquilinos preferiram os apartamentos (60%) às casas (40%) e dividiram-se quanto à localização: 37,5% estavam em bairros da região central, 37,5% em bairros nobres e 25% em bairros de periferia.
O presidente do Crescisp, José Augusto Viana Neto, disse que a pesquisa sobre venda e locação de imóveis é realizada há oito meses e, a partir de agora, será disponibilizada no site do Conselho para consultas. “A pesquisa nos traz um panorama do setor imobiliário e auxilia as ações com os profissionais da área e também a atuação deles nas cidades”, afirmou.