Bancos vazios, portas fechadas, bispos, padres e acólitos todos de máscaras, mais uma vez esse foi o cenário na Semana Santa em praticamente todo o mundo. Por conta da pandemia os fiéis não puderam acompanhar de perto as celebrações tradicionais, como o Domingo de Ramos, Missa do Lava-pés, Sexta-feira da Paixão, Sábado de Aleluia e Domingo de Páscoa, tudo foi transmitido online.
A costureira Joana Maria Santana ainda estranha o fato de não participar pessoalmente na igreja. Para ela, a Semana Santa é um marco desde à infância, quando aprendeu com a mãe a participar dos ritos católicos.
“Assistir pela internet é diferente, você sente falta de estar ali sentada no banco da igreja acompanhando de perto. No ano passado a gente já teve que fazer assim, eu jurei que em 2021 seria diferente, não imaginei que a doença fosse durar tanto tempo, infelizmente. Eu espero que em 2022 a gente possa estar lá acompanhando e com saúde principalmente”, relatou.
Joana disse ainda que entende a necessidade de acompanhar de longe, mas para ela a forma como as missas foram liberadas, com limite de fieis e obrigando o uso de máscaras, poderia ser adotada na Semana Santa.
“No começo desse ano e em parte de 2020 foi autorizado a volta, eu sempre chegava mais cedo para retirar senha. Acho que na Semana Santa seria muito importante ter essa opção, mas enquanto não pode eu vi tudo aqui de casa mesmo. A igreja orientou como preparar para a celebração colocando uma mesa com pano branco ou com a cor do dia, com a cruz, água para ser benzida também. A gente vai se adaptando, o importante mesmo é a fé em Jesus Cristo ressuscitado na Páscoa”, finalizou.
“Desde a barriga da minha mãe eu vivencio a Semana Santa. De um ano pra cá foram tempos mais difíceis, mas que pudemos caminhar com a presença de Deus, nada que não seja possível”, as palavras são da estudante Sara Fidélis, que faz parte da Pastoral da Comunicação na cidade de São Sebastião do Paraíso. Ela acompanhou de perto todo o processo de preparação para as transmissões online.
Ela conta que a equipe teve que mudar tudo após o decreto de restrições de uma forma muito rápida, mas que cresceram com a situação e enxergaram a oportunidade de levar a igreja para dentro da casa dos fiéis. “Foi uma situação muito renovadora, mas também assustadora. Dá um vazio ver a igreja vazia. Mas mesmo eu ali levando a palavra de Deus para as pessoas que não podem estar ali, pode ter certeza que em meu coração sempre lembro de cada um e rezo por cada um que gostaria que ali estivesse”, finalizou.
No seu artigo publicado no Verdade, Dom Paulo Roberto Beloto destacou a importância da Semana Santa para os católicos. “Num momento difícil da nossa história, a Semana Santa nos convida a reconhecer a entrada de Jesus em nossa vida. É o único que pode dar sentido à nossa existência. Quem tem fé, sabe que Deus é Deus, e vive a certeza que nada poderá nos separar do seu amor. Somos chamados a fazer a experiência da morte da pessoa velha com Cristo e deixar nascer o novo que vive segundo Deus. Assim também seremos sinais de esperança e canais do seu amor. Padecemos com Cristo, mas com Ele seremos glorificados. Assim poderemos cantar no Domingo de Páscoa: este “´é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos!”.